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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Uma proposta irrecusável



"Dar-te-ei o que queres, mas pagarás o preço justo, indubitavelmente!!"


Contou-me um amigo que a cobiça é uma coisa terrível, pois ele mesmo que se acreditava vacinado contra os males desta vilã do velho testamento, viu-se enredado por suas pegajosas teias quando menos esperava.


Conta o eloquente parceiro, que diante dos desejos incontroláveis de alargar a vastidão de sua propriedade, apresentou ao proprietário do terreno ao lado de sua casa, uma modesta e calculada proposta de R$15.000,00 para compra do referido.

Este por sua vez torceu o nariz insultado e alegou que por menos de vinte, sequer tiraria as pantufas dos pés.


- Ah, o tempo irá passa e ele mudará de ideia, e virá desconsolado bater à minha porta, basta esperar. Pensou este meu amigo.

E assim o tempo se fez acontecer e numa raiosa manhã de domingo, eis que soa-lhe o sino indicando visita à porta.

Nem bem se abre o umbral, e se desvela vigorosa e opulenta mulher que de olhos semicerrados, mede-o da cabeça aos pés enquanto lança olhares por cima dos ombros em busca de novos alvos para seu excrutínio.


- Bom dia, meu nome é Florisbela de-Chartre, sou a nova proprietária do terreno ao lado, podemos ter um minuto de mútuo confábulo?

Fascinado e curioso, meu amigo a conduziu para dentro de seus domínios, já que quem em seus domínios está, sob seus poderes também estará, bem, era o que ele acreditava até então...

Ela por sua vez, deslizava quase que magicamente pelo gramado enquanto seus olhos percorriam tudo ao redor.


- Sua esposa esta simpática senhora? Disparou.

- Oh, ho ho ho... minha mãe... Enquanto aquela exibia o sorriso triunfante de quem rejuvenescera trinta anos em dois segundos.

- Ah, verdade? E como seu filho a mantém prisioneira neste fim de mundo, adorável senhora?

Sem permitir-lhe tempo hábil para uma resposta a altura, ela disparou a queima-roupa:

- Sabe este terreno aqui ao lado? Agora ele me pertence e vim vendê-lo ao senhor, por R$30.000,00, já que por ele eu paguei justos vinte mil sendo que pretendo lucrar dez mil com o fechamento da escritura que o senhor está para assinar.

Meu amigo sorriu maliciosamente enquanto escondia o espanto diante de tamanha cara de pau e soltou:

- E o que a faz acreditar que eu, por ventura teria algum tipo de interesse na compra deste pântano inútil, adorável senhora?

- Ah, eu lhe explico, seu vizinho, me confessou que o senhor lhe oferecera quinze mil, e que ele não aceitaria menos de 20. Paguei-lhe então os vinte e aqui está a escritura para que o senhor a assine logo após assinar o cheque de trinta com o qual comprarei uma viagem de volta ao mundo.

- Confesso que na ocasião, manifestei um leve interesse, mas isso foi em outros tempos, não o desejo mais....

- Que pena, nesse caso terei de prosseguir com meu projeto de construção e abertura de um clube de funk no local, sabe como é isso não? Os funkeiros são um pouco barulhentos, urinam em sua calçada, brigam na rua, bloqueiam sua garagem, atiram objetos por cima do muro... isso sem contar no gosto duvidoso do referido gênero musical que só encontra par entre as mais questionáveis parcelas da sociedade além do consumo desenfreado de substâncias entorpecentes que costumam vir acompanhadas de seus comerciantes pouco profissionais.





Sua percepção lhe apresentara invariavelmente a parede dura de um beco sem saída... então meu amigo secou a gota de suor que lhe começara a descer pela sobrancelha direita fazendo-lhe arder o olho e dirigiu-se à dona Florisbela dizendo:

- ME DÁ AQUI ESSE MALDITO CONTRATO! ONDE É QUE EU ASSINO?


#negociosimobiliarios #propostairrecusavel