segunda-feira, 27 de abril de 2009

Faltas e excessos


Assisti ontem o novo filme do diretor mexicano Simon Bross: Maus hábitos. Como não havia lido nada a respeito, fiquei na surpresa total, a começar pela fotografia cheia de contrastes e sombras, em alguns momentos achei que o filme era P&B até. 
Depois a chuva quase ininterrupta e então o drama dos personagens que dividem seus conflitos com seus familiares, amigos e com a comida. Sim, é um filme que fala seriamente sobre a dificuldade das pessoas em lidar com a comida, tanto pelos seu obesos excessos, quanto pela sua bulímica e anoréxica negação. A chuva que cai incessantemente provocando inundações e tragédias, faz um contraponto com a necessidade de jejum, como se de alguma forma os excessos tivessem de ser cortados. O resultado é impressionante, as imagens lindíssimas e os dramas pessoais, levados às últimas consequências. Vale a pena.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Boas coisas sempre


Ao deparar com momentos difíceis como os que descrevi nos últimos posts, talvez alguém pergunte: Mas cadê as boas coisas?
Para mim elas estão em todos os lugares, mas principalmente quando é possível realizar seu desejo.
Durante muito tempo achei que uma boa vida era sinônimo de "viver cada minuto como se fosse o último". Não que eu discorde disto, ao contrário, concordo e continuo achando que cada momento deve ser vivido com na máxima intensidade possível. Entretanto, acho que mais produtivo que viver os momentos que a vida nos proporciona, é ser capaz de produzir estes momentos.
Vejo que esta criação de momentos, só é realmente possível quando há planejamento, quando há um amanhã pela frente e não apenas o aqui agora.
Este amanhã só pode então acontecer quando há um caminho para ser seguido, um alvo a ser atingido, a pura realização do seu desejo pessoal. Se não for assim, nos tornamos apenas expectadores da vida, por melhor que ela aparente ser.

Ser expectador é super legal, mas sinceramente quero ser o protagonista.

sábado, 18 de abril de 2009

Adeus tio Tonico


Ontem partiu d'entre nós, meu tio e padrinho Antonio Paschoal Rodolpho Agatti, o tio Tonico. Homem que amava sem fronteiras, também escrevia muito. Foi uma linda cerimônia, inclusive descrita pelo Alê em seu blog.
Entre o pouco que ainda li, destaco o texto abaixo, que está em Teleolalíadas:







CANTO 3
-1-
Nando, o nome do pai. Nandinho, o filho.
(Caçula era). Sílvio irmão, irmã Rose
E extremada mãe Alice, família
Compõem por mundo invejada. Amor
Dela brotava e tão alto atingia
Que da terra céu se o via, em fulgor.
Tão grande Éden proclamo ser raríssimo
Em mundo a bélico devotíssimo.
-2-
Nandinho, lembro-te tão sorridente.
Como hoje se diz, tão de bem co´a vida.
Não me esqueças. De mim lembra-te sempre,
Oh, figura por todos nós querida.
Tão amado por todos os fregueses
Que iam vê-lo por gentil no mercadinho.
Nandinho, de teus sorrisos esqueço?
Jamais. Eis verso que, feliz, começo.
-3-
Iluminado início de tarde era.
Eu e amada Cecília vesperal,
Rotineiro, bem querido café,
Em doces colóquios, nunca esperávamos
Anjo outro àquela hora em nossa mesa.
Campainha tocou. (Doce soar!)
Cecília, ligeira, se dirigiu
À porta. Do céu mensagem sentiu.
-4-
Iluminou-se-lhe a vista. Quem seria?
Perguntei. Logo resposta chegou.
Era o anjo. À santa ceia viria.
Eu inda sentado, vi-o à frente, ao longe.
De seus olhos novos raios partiram.
Atingiram coração do..., via-me, idoso.
Pouco longe, sorriso disparou.
Se achegou. Cálido, ao tio se abraçou.
-5-
À mesa sentaram tio, tia, sobrinho.
Do céu, da terra nós tanto falamos!
Bem fundo, em mente perguntas fazia-me:
Por que tal visita temas dos santos
Me evoca? Alegres não todos, dizia-me.
Algo bom? Algo mau? Roem-me tantos...
Nandinho, vieste dos tios despedir-te?
Resposta a tive em bem curto porvir...
-6-
Dos tios voa o anjo em férreo transporte.
À casa da noiva se dirigia.
Tarde com noiva, em ceia farta com sogros,
Comes e bebes à solta se uniriam.
Feliz para família foi encontro.
Repouso sogro recomendaria.
Mas céus outro destino decidiram.
Nandinho, em carro, p´ra sua morada
Voltou, despedindo de namorada.
-7-
Em noturna via sono domina
E férreo carro da via o derrota.
Embate ante duro verde culmina.
Sirenes se anunciam e socorros.
Dormes, oh anjo, pós choque fulmíneo.
Certo co´s caros pais, irmãos, tios sonhas.
Em nosso coração sempre estarás.
De amor tua de nós despedida é arras.
-8-
Grã dor, maior ainda, foi anúncio
A queridos pais que, inda em noite plena,
Dormem vigilantes sempre em prenúncios
Enquanto os caros filhos não chegam.
Campainha tocou. Pais de decúbito
Alçou. Céus, que co´o ausente ocorrera?
De trânsito policiais eram
Que, polidos, dura nova expuseram.
-9-
Ao hospital, se dirigiram os pais,
Controlados, arrasados, embora.
O anjo o viram dormindo, sem ais.
De vítreo transparente não fora.
Noite, manhã, dia, ´inda outros passais
Pais não os retiram do eterno olhar.
Em su´s almas pais ´te hoje vigiam-te.
Mas do vítreo abrigo vida fugiu...
-10-
Funéreo funeral se desenrola.
Mãe Alice se a prepara p´ro transe
Que incrivelmente brutal se antoja.
Ante caixão inda aberto vem mãe.
Querido anjo, não o crê, vê-o morto.
Intenso grito (Nandinho!...) se faz.
Mais alto e dolorido nunca ouvi
Grito de mãe a dor tanto exprimir.
-11-
Nando, Alice ainda hoje admiro
Coragem tanta por anos mostrada.
Teu anjo de lá constante os miram.
Pergunta, no entanto, em da vida estrada
Sempre a vejo. Não sai de mira minha:
É da vida o sentido ser frustrada?
Deixemos, porém, da vida a questão.
Deixemos razão com seu sim e não.
-12-
Tentemos em último canto abrir
Via nova para ausente sentido.
Não falar, mas trabalho definir,
Tal será tarefa não fementida.
A ela se ajunte leitor curtido
Em questões mentais, e das aquilinas.
Vamos, bem corajosos, pés no chão
Idéias discutir p´ra mundo irmão.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Simba, uma querida companheira


Esta senhora chama-se Simba. Nos deixou no sábado sob lágrimas do papai e da mamãe... Já velhinha, com quase quinze anos, estava pra lá de Bagdad fazia algum tempo.
Simba nasceu em casa 1995, num parto complicado onde tive a honra de ser o parteiro, quem diria?. Sua mãe, a Gabi viveu 14 anos também e a Simba a substituiu após mais alguns anos como grande companheira e com a sofisticação típica dos Setters Irlandeses.
Muitas e muitas vezes ela me acompanhou nos meus cursos de segurança na represa, passeando de barco, nadando e divertindo a galera com sua delicadeza de Lady.

Uma vez estava relaxando na sauna da Marina Confiança, ela uivava chorando do lado de fora até que a deixei entrar e ali ela ficou, no meio do vapor durante uns bons 10 minutos, levei uma baita bronca, mas foi muito engraçado.

Sempre gostou de correr e caçar, um dia correu atrás de uma pomba e num salto, abocanhou-a no ar matando o bicho instantaneamente. Delicadamente a depositou no chão e saiu brincando feliz debaixo dos olhares horrorizados das senhoras que passavam. A querida Simba era pura felicidade e assim foi até o final.

Amiga de muitos anos e muitas alegrias.
Valeu Simba!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Argentina na Mooca


É tão perto de casa que me esqueço de comentar, afinal já frequentamos o lugar ha mais de um ano. Inaugurado com o nome El Café, agora MoocAires, a pequena casa comandada pelo argentino do Chaco (ou será Corrientes?) Christian, com a cozinha meticulosa da Rita, tem tudo para se firmar como uma das casas mais típicas da cidade.

Desde o interior reproduzindo os "barrios" da Boca em Buenos Aires em pinturas feitas nas paredes por um artista local (de lá, é claro), inúmeros objetos, camisas de times de futebol, quadros e gravuras, passando pela deliciosa variedade de empanadas, com algumas leituras abrasileiradas, sem esquecer as tradicionalíssimas Humitas (milho moido com queijo) e carne picante, até pratos como os deliciosos lomitos (o próprio Christian faz o pão, idêntico ao original porteño), em especial o de gorgonzola (que não consta no cardápio, mas vale a pena pedir), tudo levado na maior tranquilidade e simpatia do dono da casa que faz questão de sentar-se a mesa com a galera que lota as noites de sexta feira para tomar as cervejas dos hermanos, como Quilmes e outras, sem falar nos vinhos que completam o charme do lugar.

O MoocAires é sem dúvida uma parada obrigatória para quem já conhece e para quem quer conhecer. Não perca essa!

Liberdade cerceada


Veja a figura ao lado. Trata-se de um dispositivo intitulado "Roda livre". Ora, mas o que a infeliz tem de livre se só roda pra um lado? Que espécie de liberdade é esta que não gira livremente, como o nome lhe permite, para os dois lados?
O problema é que esta completa e arquetípica liberdade cercearia sua própria razão de ser! Isso não parece com alguma coisa assim assim.. no dia a dia?
Ah, em tempo... a tradicional "Roda", é muito mais livre que essa tal de "Roda livre"!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O homem no fio

Ao ver o ganhador do Oscar 2009 de melhor documentário, agora no Brasil com nome "O equilibrista", resolvo parar um pouco e tento me equilibrar na beleza das metáforas que o filme nos brinda. Em 1974, quando o WTC ainda existia, Philippe Petit atravessou os 64 metros que separavam as duas torres sobre um cabo estendido por ele e uma equipe que precisou de uma longa preparação para burlar a vigilância e conseguir fazer o sonho de Philippe acontecer.
Quando ele finalmente estava já no chão e nas mãos dos seres ordinários como eu e você, a pergunta mais frequente que lhe era imposta era: "Por que você fez isto?". Philippe respondia perplexo que não havia um motivo, que ele havia acabado de fazer uma coisa maravilhosa, extraordinária e nesta hora, os motivos eram o que menos importava.
Durante os anos em que participei de campeonatos de parapente, cruzei com vários pilotos que aparentemente não tinham uma residência fixa. Alguns deles cruzavam o mundo parando um pouco em cada país onde desse pra decolar e ali ficavam vivendo da maneira mais econômica que fosse possível.
Algumas vezes escutei adolescentes enfrentando os pais porque desejavam fazer uma viagem para determinado lugar ou ir a uma determinada festa. A pergunta esdrúxula era: "Pra quê você quer ir lá?". Era muito difícil encontrar uma resposta.
Acho que a busca do motivo esbarra na falta de motivação, enquanto que a falta de motivo é a verdadeira motivação. A questão não é por que fazer, mas sim simplesmente fazer.

Faxina com amigos


Na semana passada estive em Curitiba ministrando na Clínica de formação de instrutores de parapente da Associação Brasileira de Parapente. Trata-se de uma iniciativa bárbara da associação, no sentido de ajudar a melhorar a formação técnica e didática dos instrutores do esporte, que é muito perigoso. Eu como responsável pela parte de didática, passo bons momentos com a turma e aproveito para encontrar os velhos amigos.
No sábado, o Rodrigo Stulzer me levou para uma trip de bicicleta por um lugar chamado "Estrada da Faxina". Foi muito legal conhecer os irmãos Rodrigo e Marco, que me emprestaram a bicicleta inclusive.
Marco é instrutor de circo para crianças e seu irmão Rodrigo cuida da capoeira. O Rodrigo Stulzer, nem preciso repetir, é um amigão das antigas do parapente, multi-atleta e mantém o bárbaro blog transpirando.com.
Foram 36km de sobe e desce por paisagens bem maneras e com direito a um trecho de subida na BR, bastante calorias queimadas e muitas risadas. Veja mais detalhes da trip no blog do Rodrigo neste link.
O dia seguinte foi tão divertido quanto, mas desta vez a fera dos esportes foi o bombeiro Marcos me me ensinou a surfar, veja só que legal que foi.

domingo, 12 de abril de 2009

Um nome útil

Tá bom, Blog do Sivuca era super legal, mas cansei de receber email de gente pedindo partitura de sanfona... O novo nome promete ser mais abrangente e quem sabe, te interessar mais. Vamos em frente que atrás vem gente!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Primeiras ondas

Imagine a cena: um preá que nunca surfou, um paciente professor bombeiro especialista em afogamentos (o amigão Marcos, alguém tem o email dele?), uma prancha de long board e muita vontade de conseguir ficar de pé sobre as ondas.
Tudo bem, alguém vai dizer que com uma prancha desse tamanho, até meu amigo Arthur que é ex-futuro-cadeirante fica de pé... eu não ligo, viu? O negócio é se divertir! Entre remadas e caldos, consegui quase-praticamente-por-um-segundo ficar de pé. Gostei tanto que já iniciei uma pequena pesquisa para ter uma ideia de como será a possível futura brincadeira.
Já adianto que é um exercício lascado ficar remando uma hora sobre as ondas... bem melhor que uma esteira, eu garanto.
Vamos em frente?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Arretado na vila Guilherme


Ontem foi a vez de conhecermos o restaurante Mocotó. Uma grata surpresa, já que como se trata de comida nordestina, associei os fatos; academia ao final da tarde e comida pesada a noite... tinha medo que o rango caisse como pedra. Ledo engano, apesar de batizados com nomes assustadores para os "gringos", o Atolado de Bode e o Baião de dois cairam como plumas. Uma festa de sabores caprichados e muito suaves como beijos de menina. A carne do cabrito (não, não é bode de verdade) soltava-se delicadamente como se não tivesse nenhum compromisso com o osso que sobrava no prato. Pequenas cebolas e tomatinhos brindavam o conjunto com pontos de exclamação e completavam o prato dando o toque sofisticado.

Comemos também um caldo de Mocofava, uma mistura de caldo de mocotó com.... Favas!! e também uma porçãozinha de Feijão de corda... juro que procurei essa tal corda, mas não encontrei. O que torna tudo especial como fim de semana no playcenter aos dez anos de idade é o fato da casa proporcionar porções de até quatro tamanhos, indo do mini ao grande. Só isto já seria suficiente, mas a qualidade do atendimento do garçon Marlon, um dos melhores que vi nos últimos tempos deixou-me boquiaberto.

Marlon é mineiro de Muriaé, morou em Itabuna, Rio, Sampa e mais um monte de lugares. Sua experiência de vida se traduz numa enorme habilidade em lidar com os desajeitados "turistas" da casa, oferencendo-se para ajudar e sugerindo o tamanho exato dos pratos para que possamos experimentar uma boa parte do que a casa oferece.

O sorvete de rapadura com calda de Catuaba (aquela das mulheres peladas) foi cortesia da casa, sem contar os bebericos de um licor de baunilha de fabricação interna. Terminamos com o pudim de tapioca com calda de coco queimado e o cafezinho coado.

De quebra há um cardápio de centenas de cachaças diferentes.
Quem movimenta a cozinha é o chef Rodrigo Oliveira.

Um lugar perfeito para levar seus amigos gringos que querem conhecer as iguarias do nordeste e mais perfeito ainda para você ir lá sempre.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sempre de volta ao Rush


Já fiz algumas outras tentativas, mas quando os quilômetros aparecem debaixo do tênis, sempre volto para o Rush.
A cadência pega no pé e o baixo do Geddy Lee me leva para vinte anos no passado; parece ruim?
Aí vai uma breve seleção para uns bons 6km:
The big money
Red Barchetta
The analog kid
Distant early warning
Marathon
Mission
New world man
Force ten