Mostrando postagens com marcador aparelho auditivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aparelho auditivo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Aparelho auditivo, um ABC com dicas para a adaptação.

Conselhos para ajudar na adaptação ao aparelho auditivo

Esta é a última parte da série "A Saga dos Aparelhos Auditivos" que começou neste post.

Imagine que você é um cozinheiro preparando uma receita complexa, com um detalhe importante, você não pode experimentar nada, nem se está bom de sal. A única orientação é as quantidades da receita e o duvidoso auxílio de seu estagiário-assistente-de-cozinha. Então você coloca a quantidade de páprica que acha suficiente e pergunta ao estagiário o que ele acha e ele diz: "ahn.. não sei, sabe? talvez.. meio... não sei direito.. parece que está meio salgado, ou meio azedo, ou meio doce.. não
sei..."

Terrível, não? Como é que alguém vai cozinhar sem experimentar a comida? É assim que se sente a fonoaudióloga quando o paciente está na fase de encontrar a regulagem ideal do aparelho. Ela - ou ele - não pode escutar com seus ouvidos e só tem a tela do computador com o resultado de sua audiometria e os parâmetros de sensatez para atingir uma boa regulagem. Isso pode ficar tão complicado que pode motivar a uma desistência, coisa muito comum, especialmente com pessoas de maior idade.

Se decidir por usar e encontrar um bom aparelho auditivo já é tarefa complicada, desistir dele pode ser muito mais frustrante. Afinal, para chegar onde chegamos, tivemos de passar por muitas etapas e ninguém quer o quadro abaixo:
  • Um investimento bastante alto 
  • Um aparelho caro largado na gaveta 
  • Um velho surdo
  • Uma filha frustrada gritando em sua orelha. 
Esse é um quadro bem desagradável para qualquer pessoa, mas acontece com certa frequência. Não que eu tenha feito pesquisas específicas no assunto, afinal sou apenas um usuário experimentado que ao conversar com muitos amigos cujas vovós, vovôs, mamães e papais terminaram guardando o caríssimo aparelho na caixinha pra sempre.

A justificativa: Ela não aguentava mais aquelas idas e vindas até a fonoaudióloga, o aparelho não ficava bom nunca, ora tinha muito barulho, ora não dava pra escutar nada...

Pensando nisso e baseado no que eu aprendi em cerca de vinte anos usando aparelho auditivo, tenho algumas dicas para quem está cansado de dizer hã? e está a fim de experimentar como fica a vida de quem usa aparelho auditivo e principalmente está a fim entrar em uma aventura de verdadeiro sucesso.

Se você tiver paciência e persistência, sua vida pode ficar uma maravilha e você pode passar a escutar até mesmo melhor que a maioria das pessoas, lembra da Jammie Sommers? A mulher biônica namorada do Steve Austin, o Homem de Seis Milhões de Dólares? Ela conseguia escutar coisas que ninguém escutava... isso não está tão longe da realidade de hoje em dia não.

Comunicação

A primeira coisa a ser compreendida é que a comunicação eficiente entre o paciente com perda auditiva e o fonoaudiólogo é absolutamente essencial para que seu investimento gere resultados satisfatórios. Para que isso aconteça, sugiro que você procure se esforçar para compreender o mínimo essencial sobre como funciona o som, para que você possa ajudar seu fono a regular seu aparelho direitinho.

O som

O som é feito de ondas. Imagine um barquinho amarrado em um pier sob efeito das ondas do mar. As ondas são o som, elas foram geradas em algum lugar longe dali, mas propagaram-se pela superfície do mar até atingir o barquinho que balança subindo e descendo.
Agora imagine a corda de um piano. Ao apertar a tecla, um martelinho bate na corda e ela começa a vibrar. Essa vibração impressiona o ar ao seu redor que vibra de forma idêntica e assim como as ondas do mar que viajam pela superfície do oceano, as vibrações do som viajam pelo ar até atingir seus ouvidos.

O ouvido é uma máquina maravilhosa, ele funciona transformando as vibrações das ondas sonoras em impulsos elétricos que são interpretados pelo cérebro.

Dentro do ouvido, existe um órgão que parece com um tamborzinho, ele chama-se Tímpano.
Quando o tímpano percebe uma vibração no ar, ele também vibra e conduz esta vibração para dentro do ouvido interno através de um grupo de ossinhos simpáticos até uma espécie de concha que recebe o nome de cóclea ou labirinto. O labirinto está cheio de líquido e ele tem cabelinhos.. quando a vibração chega, o líquido se mexe e sensibiliza os cabelinhos que por sua vez transformam as vibrações em impulsos elétricos que irão para o cérebro através dos nervos auditivos, para finalmente serem compreendidos como um verdadeiro som do piano.

O labirinto tem também a função de ajudar você a perceber se está deitado ou em pé ou de cabeça pra baixo. É por isso que quem tem labirintite, sente-se tonto... o labirinto inflamado não está cumprindo sua tarefa direitinho, mas isso é outro assunto.

Tipos de sons

Existem diferentes tipos de sons, uma tuba ou um contrabaixo, por exemplo, produzem sons graves.

  • Já um píccolo ou mesmo os pratos de uma bateria, ou o violino, produzem sons agudos.
  • O som de um caminhão passando na rua é mais grave que o som de uma motocicleta.
  • O som de um garfo batendo em uma taça de cristal é mais agudo que o som de alguém batendo na porta.
  • O som de uma zabumba é mais grave que o som de um sininho. A zabumba tem um som abafado. O sininho tem um som metálico.


Imagine um restaurante cheio de gente, temos sons de todos os tipos:

  • Sons graves como passos, pancadas nas mesas ou as vozes dos homens, coisas raspando, sons abafados.
  • Sons médios com as vozes das pessoas em geral, sons metálicos.
  • Sons agudos como garfos e pratos se chocando ou a voz de crianças e algumas mulheres (só algumas...).

O "som de restaurante" é feito de graves, médios e agudos. Essas diferenças entre os tipos de sons recebem o nome de frequência sonora e intensidade. Sendo assim, sons graves são sons de baixa frequência enquanto sons agudos são sons de alta frequência e é lógico dizer o mesmo sobre sons médios, ou seja, sons de frequências médias. Todos os sons podem ser de maior ou menor intensidade, isto é, mais fracos ou mais fortes.

Se prestarmos atenção em uma pessoa falando, perceberemos que a voz humana é feita de diferentes sons também, sons mais graves e sons mais agudos. Imagine a palavra SOM. Ela é feita do som do "S" e também do som o "OM". O "S" é um som agudo, como um chiado ou o prato de uma bateria. Já o "OM" é um som mais grave, como notas da esquerda do teclado de um piano.

Então, se você não consegue escutar sons agudos, terá muita dificuldade em entender a diferença entre escutar as palavras "TOM", "SOM", "DOM" ou simplesmente "OM", afinal, se lhe faltam os agudos, como você conseguirá entender o "S" do som que é feito somente de sons agudos?

O mesmo acontecerá se for o contrário, ou seja, se você não escuta sons graves, entenderá a palavra "SOM" como apenas um curto e estranho "S"...

Entenda sua deficiência

O primeiro passo é consultar um médico e fazer um exame de audiometria. Ali será a porta de entrada para entender que tipo de deficiência auditiva você tem e se ela pode ser tratada, amenizada ou até corrigida com o uso de um aparelho auditivo.

Você entrará em uma sala a prova de som, o médico colocará um fone de ouvido especial em você e do lado de fora, irá utilizar uma máquina para produzir apitos de todos os tipos. O procedimento é simples, se você consegue escutar um apito, você avisa. Se não consegue escutar, faz aquela cara que é só sua. A máquina faz um apito e ele vai baixando o volume até o momento em que não é mais possível escutar. Nessa hora ele faz uma anotação que significa que aquele determinado apito que fica naquela determinada frequência sonora, só pode ser escutado se ele tiver o volume x.

Veja a imagem de meu audiograma. As bolinhas são o ouvido direito, as cruzinhas são o ouvido esquerdo. A coluna do gráfico é a intensidade sonora e a linha é a frequência sonora. Então quanto mais para baixo, pior... Perceba que eu escuto relativamente bem os sons mais graves que ficam à esquerda do gráfico, porém os agudos são mais problemáticos, com uma perda maior.

O próximo passo será procurar o aparelho, para ajudar, escrevi os outros artigos aqui sobre a Saga dos Aparelhos Auditivos, afinal você precisa de um aparelho adequado para seu estilo de vida.

Acuidade sonora

Sabemos a diferença entre "PATA" e "FACA" porque cada fonema "P", "T", "F" e "C", é feito de determinados sons.. nosso cérebro foi educado para decodificar isto. Se hoje não conseguimos escutar o som do "F" e amanhã voltamos a escutar, imediatamente nosso cérebro se lembra que aquele é o som do F.
O fonoaudiólogo faz também, um teste onde ele recita várias palavras para verificar sua acuidade sonora. As vezes apesar de escutarmos as palavras (porque o som dos fones está alto), não somos capazes de compreendê-las corretamente (lembra da velha surda da Praça da Alegria?) confundindo as palavras e uma "cuca turca" vira "puta surda", que horror!

Existem alguns casos, onde a pessoa passou tanto tempo sem escutar direito, que o cérebro não se "lembra" mais como são os sons.
Nesses casos, mesmo que o aparelho amplifique os sons que faltam, ainda a pessoa terá de passar por um processo de reeducação sonora, para que seu cérebro reaprenda que o "F", por exemplo, tem aquele determinado som. Isso significa que você precisará de muuuuuito mais calma e paciência, mas pode ser feito.

Adaptação

Os testes medem sua capacidade de escutar os diferentes tipos de som, sejam eles de alta, média ou baixa frequência. Lembra o que comentei logo acima sobre a palavra "SOM"?

Vamos então imaginar que por exemplo, você tenha perda auditiva na região dos sons agudos. Um aparelho auditivo poderá aumentar o volume dos sons agudos possibilitando que você os escute.

É aqui que começa o primeiro passo.

Imagine que fazem muitos anos que você escuta mal. No exame deu que você tem perda auditiva na região dos agudos. Isso quer dizer que há anos você quase não sabe o que são sons agudos. No instante em que você colocar um aparelho auditivo, um novo tipo de som passará a fazer parte de sua vida e é bem possível que isso seja uma surpresa bastante grande para você, especialmente se fazem muitos e muitos anos que você escuta mal.

É por isso que o aparelho precisará passar por uma muitas vezes longa fase de adaptação. Não será possível que no mesmo instante que você o colocar na orelha, saia escutando tudo como por milagre. O aparelho irá lhe incomodar, pois você não está acostumado a escutar todos aqueles sons. Seu mundo sonoro era mais restrito. Lembra como foi surpreendente quando as televisões passaram a exibir imagens coloridas ao invés de apenas em preto e branco? Hoje você escuta em preto e branco, amanhã poderá escutar colorido, mas para isso é preciso tempo de adaptação.

O fonoaudiólogo sabe disso e irá regular seu aparelho de forma progressiva e suave para que você vá aos poucos se acostumando com os novos sons até que só depois de completamente adaptado, você realmente esteja escutando todos os sons que lhe faltam sem que isso se torne um tormento em sua vida. Isso invariavelmente significará idas e vindas ao consultório para que de ajuste em ajuste, você chegue ao melhor resultado.

Agora que você está começando e entender a situação, também ficará mais fácil entender que quando mais eficientemente você informar ao seu fonoaudiólogo sobre o que é que efetivamente você está escutando, mais fácil será para ele ou ela, regular seu aparelho. O que quero dizer é que apesar do fonoaudiólogo saber que deve ir devagar com a regulagem dos sons, ele não tem como escutar com seus ouvidos e só suas informações poderão ajuda-lo a tornar sua vida com aparelhos o menos tormentosa possível.

O sonho dos fonoaudiólogos é ter uma pessoa como este que vos escreve como cliente, pois eu sou capaz de dizer a ela que preciso de uma amplificação de cerca de 6dB na faixa de 2khz. Claro que isso soará grego para o leigo, mas como eu procurei aprender o máximo possível sobre o assunto, minha vida torna-se mais fácil nessa hora. Você não precisa ir tão longe, mas se você for capaz de dizer que "faltam graves", ou "sobram agudos", ou "está muito metálico", ou "está muito abafado" e assim por diante, já será de grande ajuda. Se você anotar as coisas relativas aos tipos de ambientes que você frequenta, também poderá ajudar, veja um exemplo de uma coleta de informações sobre alguns dias de uso de um aparelho auditivo pela primeira vez:


  • "assistir novela - muito confortável"
  • "conversar com a família na cozinha - muito barulho de talheres e pratos"
  • "ir até a quitanda - um inferno de carros e buzinas"
  • "conversar com uma pessoa em lugar silencioso - perfeito"
  • "festa de aniversário de meu neto - quase fiquei louca, mas consegui conversar com minha nora finalmente..."
  • "consegui escutar o padre falando na igreja"


Estas informações são essenciais para ajudar o fonoaudiólogo a conseguir regular seu aparelho de maneira mais eficiente.

Lembre-se que você só poderá atingir o máximo de eficiência depois que tiver passado pela fase de adaptação e isso poderá levar várias semanas. Antes disso, o aparelho estará agindo de forma mais discreta e é claro, menos eficiente. Tenha paciência, isso é essencial.


Dicas de ouro


  • Acalme-se, mergulhe na aventura quando estiver sob menos stress, pois é preciso estar preparado para um certo tempo até que você esteja 100% sintonizado com seu novo aparelho.
  • Vá ao médico, entenda sua deficiência
  • Aprenda o que são sons graves e agudos
  • Tenha paciência para se adaptar aos aparelhos
  • Anote o que percebeu nos mais diferentes ambientes
  • Volte ao fonoaudiólogo regularmente para novos ajustes
  • Cuide muito bem de seus aparelhos, não deixe o cachorro mastiga-los

Muito importante

Nunca tenha vergonha de sua condição e muito menos de seus aparelhos. Sinta-se orgulhoso de levar toda aquela tecnologia nas orelhas, conte para as pessoas, mostre os aparelhos para elas, conte como você aprendeu todas essas coisas e como agora você consegue escutar melhor.

Você é um vencedor! Agora e sempre!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O desfecho da saga do aparelho auditivo

Esta é a segunda parte da saga que começou aqui.

Parabéns Silvio Carlos! Você é o feliz proprietário de um Unitron Next 16. Um não, DOIS! Um pra cada escutador de bolero, como diz meu velho pai.

O brinquedo comercializado pela Microsom é um festival tecnológico, muito bom para pessoas com vida ativa como eu. Quem fica mais quietinho em casa e no máximo quer escutar a novela ou os cochichos do porteiro do prédio não precisa de tanta tecnologia, mas o rapaz aqui que vai pro trabalho na oficina, vai pra restaurantes, cinema, analista, sala São Paulo, conversa com gente que grita e com gente que fala super baixo, pega lotação, anda de carro, anda na pé, em lugares abertos e fechados.. tem que ser um brinquedo como esse.
Ele tem alguns programas automáticos onde ele percebe o tipo de ambiente em que você está através de amostragem sonora e muda a regulagem do aparelho de acordo. É capaz de reduzir o som do vento, de ruídos fortes, de sons contínuos como o liquidificador ligado, por exemplo. Além disso tem programas manuais para situações específicas como falar no telefone, ouvir música, ambientes extremamente silenciosos ou extremamente barulhentos.

É do tipo adaptação aberta com o transmissor separado do resto, tornando o brinquedo bem menor e discreto. Não há sensação de ouvido entupido, na verdade é colocar na orelha e esquecer que ele está lá. A qualidade do som é ridiculamente pura e é um perigo entrar no chuveiro com ele porque você simplesmente esquece do aparelho.
Estou esperando chegar uma caixinha nova gratife escuro, não gosto dessa corzinha Michael Jackson tentando se esconder.

Uma maravilha dessas tem um custo alto, o gaget não sai por menos de... Claro sai mais barato ir até os EUA, comprar um e trazer pra casa, mas como fica a garantia? e se quebrar? e a eficiente assistência técnica da Microsom do Tatuapé? Pesei tudo isso na balança e preferi pagar mais caro, afinal não quero me meter em roubadas mais tarde.

Agora quando você vir falar comigo vê se não grita!!

Aproveite para acompanhar este post que dá dicas sobre a adaptação.

domingo, 19 de julho de 2009

A saga dos aparelhos auditivos

Você pensa que é fácil ser meio surdo? As pessoas sabem muito pouco a respeito desse assunto, que muitas vezes é tratado com certo preconceito. As palavras do escritor David Lodge no impagável e obrigatório romance "Surdo Mundo" são: A cegueira é tragédia, a surdez... comédia. As pessoas se sensibilizam com quem não enxerga, ajudam a atravessar a rua, se emocionam. Já os surdos, geram desprezo e revolta, ninguém aguenta ter que gritar em sua orelha. Veja só, até os animais dos cegos são mais dignos... todo mundo gosta de acariciar um heroico cão-guia. Existem animais para surdos? O personagem do livro imagina um papagaio sentado sobre o ombro do surdo, repetindo aos gritos o que lhe disseram bem dentro da orelha.

A vida me ensinou que quando você é capaz de se auto-ridicularizar, a piada desaparece, uma excelente filosofia de vida.

Ora... você conhece alguém que usa óculos? Que mal há nisso não é mesmo? Aparelho auditivo está para o ouvido como o parzinho de óculos está para os olhos.

Sou inclusive do partido de que a maravilha tecnológica que é um aparelho desses não pode passar despercebida, ao contrário, fica até chique.

Foi-se o tempo em que o aparelho era só um amplificador - ruim . Hoje, além de contarem com resposta de frequência - a faixa de cobertura de frequências de sons que vai dos graves até
os agudos - muito mais ampla, tornando os sons escutados no aparelho tão límpidos quanto aqueles que escutamos sem eles, os brinquedos são capazes de distinguir o que é voz daquilo que é ruido e filtrar apenas os sons que realmente "interessam" ser escutados. Podem neutralizar sons altos e ao mesmo tempo serem capazes de amplificar sons mais baixos. Alguns possuem conectividade bluetooth, permitindo atender o celular ou escutar música direto no aparelho, outros possuem transmissor externo wireless permitindo por exemplo que posicionemos o microfone em outra sala, e escutarmos tudo o que se passa por lá.

Eu uso um brinquedo destes já faz quase uns dez anos, é um dos primeiros modelos digitais que já está pra lá de Kabul, precisando ser trocado por algo mais moderno, mais confortável e eficiente. Então comecei a testar substitutos para o velhinho, afinal a brincadeira começa em 4000 reais cada um e pode chegar aos R$11000,00.


Tenho uma queda leve que vai dos médio-graves 250 ~ 500hz piorando para moderada que vai de 1khz até os sons mais agudos. Não é uma super-perda, mas o suficiente para fazer com que escutar conversa possa virar uma complicação, especialmente se a outra pessoa gosta de falar baixo ou se tiver ruido de fundo.
A solução é uma pequena maravilha tecnológica capaz de amplificar as frequências que precisam de um boost extra para eu começar a ficar parecido com Beethoven.
Os seres humanos conseguem escutar frequências muito graves desde 20hz - hz é a abreviação de hertz, que significa "pulsos por segundo" até 20.000hz, que são sons extremamente agudos. A fala está mais ou menos na faixa que vai de 250hz a 3khz. Então uma perda de 50% em 2khz significa uma dificuldade enorme pra entender o que as pessoas - especialmente aquelas que falam baixo - dizem.
Os aparelhos mais antigos são analógicos, capazes de uma amplificação linear que termina antes de 4khz. O resultado é um som sem definição, como ao de um rádio de pilha e o pior, sem distinção de intensidades sonoras, ou seja, ruidos como pratos e gritos tornam-se insuportáveis.
Aparelhos mais modernos são no mínimo digitais, com compressão de áudio - que é o caso de meu velho Digilife da Telex-Oticon. Até aparelhos inteligentes com recursos pra dar e vender.

As empresas que comercializam os aparelhos, a maioria deles vinda da Europa, sempre oferecem a possibilidade de fazer um test-drive, afinal é um investimento considerável, para descobrirmos qual aparelho se adapta melhor as suas características, tanto de perda auditiva, quando de ambiente de uso. Quem, por exemplo, tem uma vida muito ativa, indo constantemente de ambientes silenciosos para ruidosos, precisará de aparelhos mais sofisticados. Por outro lado, um velhinho morando numa casa silenciosa não precisará de tanta tecnologia - a não ser nas festas de fim de ano quando os netos chegam fazendo aquele barulhão.

A primeira descoberta que fiz é que dois aparelhos não é duas vezes melhor que um, é DEZ vezes melhor... isso já significa que deverão ser dois aparelhos em vez de apenas um, só pra começar.

Voltei no otorrino, fiz novos testes e como minha mãe - meu problema é igual ao dela, congênito e bilateral, perda de sensibilidade do nervo auditivo - já conhece e está satisfeita com a marca, comecei testando um modelo da Microsom chamado Element 8.
O Element é um aparelho externo que usa uma nova tecnologia que se

chama "Moxi adaptação aberta", isto significa que diferente dos modelos que requerem molde do canal auditivo, este tem uma espécie de "chupetinha" que encaixa dentro da orelha. Metade do aparelho (microfone, amplificador, processador) fica atrás da orelha e o resto (transmissor, auto-falante) fica dentro do ouvido em uma micro-cápsula. Isso me pareceu bem legal já que diminui bastante o tamanho do brinquedo.
Além dos itens obrigatórios, como compressor - responsável por reduzir os picos de áudio e levantar os sons muito baixos - sintonia completamente digital feita pelo computador com base na sua audiometria - uma espécie de equalizador gráfico de várias bandas, este aparelho possui alguns recursos bem legais, como a capacidade de identificar um ruido contínuo - por exemplo, um liquidificador ligado - e reduzir este som a um mínimo; quase neutralização de ruidos de vento, uma eficiente correção de microfonia, dois microfones com seleção automática -um direcional e um omni-direcional.
Vou testar esse aparelho novamente, mas achei que a correção de ruidos ainda poderia ser mais eficiente, já que ele corrige apenas um ruido por vez contra 16 do modelo Indigo.
Uma importante vantagem é a faixa de resposta de áudio que me parece bem superior aos usuais 4khz, ou seja, este aparelho não tem aquele som infernal de rádio de pilha. No fim, você simplesmente se esquece que está usando um aparelho, o som é incrivelmente cristalino. O aparelho só faz você lembrar que ele existe quando funciona o sistema de redução de ruidos, quando você percebe os ruidos baixando de volume suavemente.
Ele também tem dois microfones, um omni-direcional para pegar os sons de todo ambiente e um direcional que fica virado pra frente. Como o aparelho procura dar ênfase a voz humana através de amostragem de áudio ele ativa ou desativa os microfones conforme a necessidade, tudo automaticamente.
Ele tem uma bobina telefônica automática, quando você aproxima um telefone (que tem ímã, e daí impossível com o celular) ele muda de programa e pega o som como se estivesse ligado no telefone por um fio. O som era muito baixo e era mais fácil tirar o aparelho do ouvido para escutar o telefone, mas isso eu acho que dá pra regular. Para resolver o problema do celular, parece que é só grudar um pequeno ímã no celular.
Achei muito legal a tabela de manutenção progressiva a partir do término da garantia. No lugar de surpresas de orçamento, você sempre sabe quanto irá gastar depois que terminarem os dois anos de garantia. Esse brinquedo custa cerca de R$6000,00

Testei também o equipamento da Telex Claris M100, que é a mais antiga empresa do ramo no Brasil, a mesma marca de meu aparelho mais velho. Gostei do fato de agora eles contarem com assistência técnica em São Paulo, antes era só no Rio e isso era um saco, pois tinha que esperar um tempão pela volta do aparelho. Testei um equipamento similar ao Element, mas bem mais caro. Não gostei do fato dele ficar dançando um pouco na orelha. A correção de ruidos também me pareceu inferior ao Element, mas talvez seja uma questão de ajuste. A questão é que a filosofia da empresa prevê um aparelho menos "cibernético" que o Element, ou seja, o mais natural possível... porém achei tão natural que os ruidos acabam incomodando um pouco. Apesar da incrível qualidade de áudio.
Ele tem um botão que permite seleção de programas e bobina telefônica. Não deu certo, o botão não funcionou direito e a bobina telefônica menos ainda.

Depois disso começou o período de sofrimento parti para um aparelho intra-auricular intermediário da GN-Resound Danavox, o Plus5. Acho engraçado a insistência de algumas fonoaudiólogas em querer que você teste um aparelho intermediário mesmo você pedindo algo mais sofisticado, de qualquer modo elas sempre são extremamente gentis e simpáticas. Do aparelho já não posso dizer o mesmo, ele é quase infernal e ignora completamente a natureza do som, tratando a barulhada e as conversas quase do mesmo jeito. Além disso já deu pra ver que aparelho intra-auricular é realmente sacal, dando a sensação de ouvido entupido, lembrando que cada pessoa é um universo de variáveis diferente, ou seja, o que não é bom pra mim, pode ser ótimo pra você. A resposta de frequência é inferior, batendo nos 4000hz e olha lá... isso significa som de rádio de pilha o tempo todo na sua orelha. A vantagem é o preço, apenas 4000 reais, mas ainda é muito dinheiro para muito sofrimento. Outra vantagem é poder desliga-lo sem tirar a pilha, apertando um botãozinho. Aliás esse botãozinho também serve para mudar o programa I e II para diferentes ambientes e sinceramente não consegui ver diferença entre eles. Para telefone fica péssimo, realmente não dá pra usar.

Estou coroando a angústia com o aparelho da Widex, este sim, totalmente infernal, faz você ficar desesperado a cada minuto e querer arrancar ele da orelha. A sensação é de um rádio de pilha quebrado enfiado na orelha. Os ruidos soam altíssimo e chega a distorções horrendas. Telefones, ficam menos ruins que o Danavox, mas um horror também. Novamente foi uma insistência da fonoaudióloga em sugerir um aparelho inteiramente básico, que no fim não se adapta ao meu mundo barulhento.
Esse eu realmente detestei. O mais engraçado é que o site deles é o mais bacana de todos, mas eles simplesmente não tem os aparelhos que estão no site, eles estão aguardando a liberação do ministério da saúde. Imagine só, não era o mais certo tirar do site os aparelhos que não estão a venda?

O Element me pareceu o melhor até agora com recursos automáticos bem legais, ótima qualidade de áudio e boa ergonomia, fiquei com vontade de experimentar o modelo Indigo, que parece ser ainda mais sofisticado, podendo filtrar até 16 ruidos diferentes simultaneamente, ou seja, em tese você pode bater papo numa calçada da paulista com carros passando, britadeiras, vendendores ambulantes berrando, cachorros latindo e mais doze outros ruidos se movendo sem ficar louco. Só que aí o preço é outro...

Acompanhe a segunda parte da saga do aparelho auditivo nesse post.

Adeus a Roberto Simon

  Cemitério Israelita do Butantã - um lindo lugar. Fui até o cemitério hoje me despedir de meu amigo Roberto Simon. Fazia um bom tempo que e...