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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Eu queria acreditar

Eu queria acreditar...


Eu queria acreditar, pedir aos espíritos, aos Deuses e Santos.

Que escutassem meus pedidos, minhas rezas, meus Cantos

E olha que não são poucos, a lista é grande, são tantos.


Mas meu pai foi-se embora, me deixou sozinho em casa.

Lembro dele ainda agora, batendo seu par de asas

Agora sou eu e meus desejos, minhas vontades e anseios.

Resolvendo meus problemas, preparando meus esquemas.

Estou sozinho, é o que vejo


Já perdi a esperança, de que uma fada apareça.

E faça assim com a mão, realize meus caprichos.

Escute meus cochichos, e com a varinha de condão, 

gentil e delicada me toque a cabeça.


Ou talvez um pai de santo, me traga essa alegria.

O mesmo alguém morto, me mande a psicografia.

O mulá, o rabino, ou Meca, e me curvo para Alá

E me dê o que eu preciso, para eu trazer para cá.


O tempo vai passando e me diz "você perdeu"

Descobriu que não tem santo, não tem fada não tem Deus

Levanta do chão e sacode a poeira

Pega a sacola de abre um sorriso e vai pra feira

Sai pra rua e grita bem alto: eu sou mais eu.


Pois não basta querer para acreditar, é preciso perceber, ver, analisar

E entender a física, a química, a primeira e a última

E repetir mais de mil vezes, eu queria acreditar.


 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

O poder do amor



Então descobri-me ateu.

Mas suponho que posso chamar de Deus a esta angústia que sinto no coração diante da inexorabilidade do universo. Esse universo, tão cego e surdo a tudo ao seu redor. Universo que se expande, cresce, roda e recicla. Esse universo que não tem preconceito, não faz distinção entre quem merece ou quem não merece estar no caminho de suas decisões, sejam elas as mais assustadoramente arbitrárias ou aquelas mais cabalmente justas. A verdade é que não há justiça, tampouco injustiça, apenas o haver, apenas o acontecer.

Em duas decisões, esse universo que não faz esforço algum para agradar ou desagradar,
Punir nem recompensar,
Perdoar ou agradecer,
Escutar ou ignorar.

Universo esse que impõe sua aparente invencibilidade aos fracos e fortes, brancos e pretos, crentes e descrentes, ricos e pobres, presentes ou ausentes, estúpidos ou inteligentes.

É angústia que abre espaço no peito, se acotovelando entre assombro e terror, entre deslumbramento e indignação, entre medo e desejo.
É angústia que não pode ser ouvida porque emana de lá de dentro, cuja voz bem conheço.

É angústia de estar em meio a tanta vida e tanta morte, tanta beleza e tanta tragédia; tanto amor e tanto ódio.

É o belo que dói,
O feliz que aflige,
O ínfimo que oprime,
O gigante que definha.

É angústia por não poder estar em todos lugares ao mesmo tempo, por saber que não há tempo sobrando para se sentir cada dia que passa nessa vida com a intensidade que acho que estar vivo merece.

É por isso que recomendo gastar seu tempo do lado de quem você ama, pois sei que de tudo aquilo que sinto e não posso provar que existe, só uma coisa merece minha atenção, só uma coisa vale a pena acreditar.

Amor é o nome dessa coisa.
Coisa essa que me mantém vivo
Coisa essa que me permite acreditar no dia de amanhã.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Simpáticos e simpatias


Logo depois que me mudei para o novo apartamento, tivemos alguns pequenos acidentes domésticos em sequência que nos deixou um pouco assustados... Prateleiras que cairam, aparelhos que queimaram, baratas, formigas e até discussões infundadas.
Uma pessoa querida sugeriu fazermos uma simpatia, compramos alguns incensos e saímos algumas vezes passeando pela casa soltando fumacinha e pedindo para que os "maus espíritos" se retirassem para outras paragens.
Deu certo! A fase difícil passou e a paz voltou ao lar.
Não se trata aqui de confessar em público, meu crédito nos poderes sobrenaturais do além-túmulo, mas sim dividir com vocês minha conclusão: Nossa casa é um ambiente sagrado. É nela que passamos grande parte de nossas vidas e é a ela que dedicamos grande parte de nossas energias. A moradia é o abrigo, é o recolhimento, é a intimidade e como tal, ao dedicarmos-lha um instante de nossos dias, inclusive através de um banal gesto de passear pelos corredores com um pedacinho de incenso, invariável e inconscientemente passamos a "contaminar" o ambiente com um pouquinho de amor que se reflete de forma prática, num aumento no nível de atenção geral para tudo o que se passa. As coisas quebram menos, as formigas e baratas recebem veneno, as prateleiras desistem de cair...
É obra do divino? Qualquer instante de dedicação a algo que não seja apenas nosso umbigo é obra do divino.

Adeus a Roberto Simon

  Cemitério Israelita do Butantã - um lindo lugar. Fui até o cemitério hoje me despedir de meu amigo Roberto Simon. Fazia um bom tempo que e...