segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Sublime Sertão

Sublime sertão


Estive no sertão do Ceará pela última vez em 1999. Foi a última de uma sequência de três anos quase seguidos voando em Quixadá.

Naquela época, as casas não tinham cisternas, os açudes tinham mais água e o mais longo dos voos dificilmente se aproximava muito dos 200 km. Experimentávamos o sertão de uma forma muito breve, apenas raspando em qualquer significância que ele pudesse nos mostrar. Não havia tempo para imersão. Acordávamos tarde, pousávamos cedo e nos dedicávamos a risadas e cerveja. Era como ver um filme, ou folhear um álbum de fotografias.

Mas depois de 17 anos, a experiência me surpreendeu completamente. Constatei o quanto somos pequenos diante da natureza. Veja só, voar sobre florestas cultivadas, plantações, campos floridos, estradas, ruas e cidades nos garante uma importante, embora talvez inconsciente conexão com nossa humanidade. Se o vento arrancar aquelas flores, novas irão nascer ou serão plantadas, se a chuva estragar a estrada, o departamento de trânsito poderá consertar cedo ou tarde e se as cidades forem varridas do mapa, novas cidades serão construídas em seu lugar. Então, diante da segurança de estar tão pertinho daquilo que nós mesmos somos capazes de construir, podemos nos afastar da segurança do chão e olhar tudo de lá de cima com um pé ainda fincado em algum resquício de nossa civilidade, se é que podemos chamar nossa presença na Terra de verdadeira acepção de civilidade, é claro, mas isso é outro assunto para outra hora.

Bem, a minha verdade é que essa segurança se desfez no sertão. Ali, a terra seguiu indiferente a minha presença, implacável em tudo que ela me impõe. Os dezessete anos que passei longe do sertão não significaram absolutamente nada para a paisagem que impera perene, sublime e avassaladora debaixo de mim. As enormes rochas que pontuam um dos mais antigos terrenos da nossa mãe-Terra não tomam conhecimento de minha presença e não será o vento de 30 ou mais quilômetros por hora que farão alguma diferença para elas. Embora seres vivos como eu, os intermináveis juremais lá embaixo renovam-se em sua promessa de eternidade, por mais seca, rígida e impiedosa que a paisagem possa ser.

Longe da segurança da minha pseudo-civilidade, o sertão lá embaixo me cobra atenção dedicada, interesse absoluto em minha própria continuidade. Ele faz isso com total indiferença e sou eu quem tem de lidar com a assustadoramente surpreendente sensação de solidão que me aterroriza apesar dos colegas que voam ao meu redor.

Voar no sertão vai muito além daquilo que estamos acostumados ao fazer nossos simpáticos e divertidos quilômetros sobre estradas marcadas por pneus. Eu poderia comparar com uma travessia de natação a mar aberto. Longe das beiradas das piscinas ou das areias das praias civilizadas com seus salva-vidas com seus apitos e boias.

Adicione a este encontro completamente solitário com você mesmo, um período indebitamente longo de horas a fio, voando e administrando suas decisões. Não vejo como terminar uma longa jornada nessa solidão absoluta sem ter um colega para abraçar ao final. É por isso que encontro no voo do sertão uma importância inadiável sobre voar em equipe. Aqui, insistindo em dividir as térmicas com seus amigos, forçando-se a respeitar suas decisões e empreender pelos seus caminhos, dividimos também uma parcela da enorme responsabilidade que a solidão dos céus do sertão nos impõe. Ao longo de nove ou dez horas de voo, posso em alguns momentos relaxar um pouco, pois sei que alguém está momentaneamente decidindo qual será o próximo passo.

Aprendi várias coisas nestes dias voando em Quixadá e posso dizer que somos apresentados a nós mesmos de uma maneira tão verdadeira que chega a ser maldosa. Estamos pendurados no céu, largados,  deixados praticamente nus, a milhares de metros de distância de qualquer superfície ou objeto e a mínima conexão com algo mais humano que minha selete ou meu variômetro adquire uma preciosidade inédita. Aprendi a lição dos grandes mestres recordistas do sertão e em especial Rafael Saladini a quem devo tantos conhecimentos. Aprendi que no sertão somos literalmente reduzidos a um mero ponto no espaço, incapazes de alterar ou provocar qualquer influência em tudo que nos rodeia. Somos meros, passageiros, curtos e pequenos. Nossa pequenice aumenta ironicamente diante da grandiosidade do sertão, que de tão lindo, e ao mesmo tempo tão assustador, não se importa conosco nem por uma fração de segundo que seja.

Eu, sozinho com meus pensamentos encontro meu caminho.

Aprendi que o voo em equipe é absolutamente essencial, não apenas pela pura banalidade de voarmos mais longe e batermos nossos recordes, mas por algo que vai muito, muito além: voamos em equipe para não nos distanciar de nossa natureza humana, de nossa própria civilidade. Voamos em equipe porque somos humanos!

A volta para casa é densa e as vezes assustadora. Algumas coisas perdem o sentido ou parte dele, outras adquirem novos sentidos e diante da nossa normalidade e banalidade, tento encontrar um lugar para me encaixar. É uma tarefa difícil, mas essencial, gradual, mas vale a pena.

Pretendo voltar para o sertão, mais consciente do que encontrarei durante aquelas horas pendurado no céu, menos assustado e mais preparado para não apenas enfrentar tudo aquilo outra vez...

...mas voltarei ao sertão principalmente... para voltar para casa.

Sivuca


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Aparelho auditivo, um ABC com dicas para a adaptação.

Conselhos para ajudar na adaptação ao aparelho auditivo

Esta é a última parte da série "A Saga dos Aparelhos Auditivos" que começou neste post.

Imagine que você é um cozinheiro preparando uma receita complexa, com um detalhe importante, você não pode experimentar nada, nem se está bom de sal. A única orientação é as quantidades da receita e o duvidoso auxílio de seu estagiário-assistente-de-cozinha. Então você coloca a quantidade de páprica que acha suficiente e pergunta ao estagiário o que ele acha e ele diz: "ahn.. não sei, sabe? talvez.. meio... não sei direito.. parece que está meio salgado, ou meio azedo, ou meio doce.. não
sei..."

Terrível, não? Como é que alguém vai cozinhar sem experimentar a comida? É assim que se sente a fonoaudióloga quando o paciente está na fase de encontrar a regulagem ideal do aparelho. Ela - ou ele - não pode escutar com seus ouvidos e só tem a tela do computador com o resultado de sua audiometria e os parâmetros de sensatez para atingir uma boa regulagem. Isso pode ficar tão complicado que pode motivar a uma desistência, coisa muito comum, especialmente com pessoas de maior idade.

Se decidir por usar e encontrar um bom aparelho auditivo já é tarefa complicada, desistir dele pode ser muito mais frustrante. Afinal, para chegar onde chegamos, tivemos de passar por muitas etapas e ninguém quer o quadro abaixo:
  • Um investimento bastante alto 
  • Um aparelho caro largado na gaveta 
  • Um velho surdo
  • Uma filha frustrada gritando em sua orelha. 
Esse é um quadro bem desagradável para qualquer pessoa, mas acontece com certa frequência. Não que eu tenha feito pesquisas específicas no assunto, afinal sou apenas um usuário experimentado que ao conversar com muitos amigos cujas vovós, vovôs, mamães e papais terminaram guardando o caríssimo aparelho na caixinha pra sempre.

A justificativa: Ela não aguentava mais aquelas idas e vindas até a fonoaudióloga, o aparelho não ficava bom nunca, ora tinha muito barulho, ora não dava pra escutar nada...

Pensando nisso e baseado no que eu aprendi em cerca de vinte anos usando aparelho auditivo, tenho algumas dicas para quem está cansado de dizer hã? e está a fim de experimentar como fica a vida de quem usa aparelho auditivo e principalmente está a fim entrar em uma aventura de verdadeiro sucesso.

Se você tiver paciência e persistência, sua vida pode ficar uma maravilha e você pode passar a escutar até mesmo melhor que a maioria das pessoas, lembra da Jammie Sommers? A mulher biônica namorada do Steve Austin, o Homem de Seis Milhões de Dólares? Ela conseguia escutar coisas que ninguém escutava... isso não está tão longe da realidade de hoje em dia não.

Comunicação

A primeira coisa a ser compreendida é que a comunicação eficiente entre o paciente com perda auditiva e o fonoaudiólogo é absolutamente essencial para que seu investimento gere resultados satisfatórios. Para que isso aconteça, sugiro que você procure se esforçar para compreender o mínimo essencial sobre como funciona o som, para que você possa ajudar seu fono a regular seu aparelho direitinho.

O som

O som é feito de ondas. Imagine um barquinho amarrado em um pier sob efeito das ondas do mar. As ondas são o som, elas foram geradas em algum lugar longe dali, mas propagaram-se pela superfície do mar até atingir o barquinho que balança subindo e descendo.
Agora imagine a corda de um piano. Ao apertar a tecla, um martelinho bate na corda e ela começa a vibrar. Essa vibração impressiona o ar ao seu redor que vibra de forma idêntica e assim como as ondas do mar que viajam pela superfície do oceano, as vibrações do som viajam pelo ar até atingir seus ouvidos.

O ouvido é uma máquina maravilhosa, ele funciona transformando as vibrações das ondas sonoras em impulsos elétricos que são interpretados pelo cérebro.

Dentro do ouvido, existe um órgão que parece com um tamborzinho, ele chama-se Tímpano.
Quando o tímpano percebe uma vibração no ar, ele também vibra e conduz esta vibração para dentro do ouvido interno através de um grupo de ossinhos simpáticos até uma espécie de concha que recebe o nome de cóclea ou labirinto. O labirinto está cheio de líquido e ele tem cabelinhos.. quando a vibração chega, o líquido se mexe e sensibiliza os cabelinhos que por sua vez transformam as vibrações em impulsos elétricos que irão para o cérebro através dos nervos auditivos, para finalmente serem compreendidos como um verdadeiro som do piano.

O labirinto tem também a função de ajudar você a perceber se está deitado ou em pé ou de cabeça pra baixo. É por isso que quem tem labirintite, sente-se tonto... o labirinto inflamado não está cumprindo sua tarefa direitinho, mas isso é outro assunto.

Tipos de sons

Existem diferentes tipos de sons, uma tuba ou um contrabaixo, por exemplo, produzem sons graves.

  • Já um píccolo ou mesmo os pratos de uma bateria, ou o violino, produzem sons agudos.
  • O som de um caminhão passando na rua é mais grave que o som de uma motocicleta.
  • O som de um garfo batendo em uma taça de cristal é mais agudo que o som de alguém batendo na porta.
  • O som de uma zabumba é mais grave que o som de um sininho. A zabumba tem um som abafado. O sininho tem um som metálico.


Imagine um restaurante cheio de gente, temos sons de todos os tipos:

  • Sons graves como passos, pancadas nas mesas ou as vozes dos homens, coisas raspando, sons abafados.
  • Sons médios com as vozes das pessoas em geral, sons metálicos.
  • Sons agudos como garfos e pratos se chocando ou a voz de crianças e algumas mulheres (só algumas...).

O "som de restaurante" é feito de graves, médios e agudos. Essas diferenças entre os tipos de sons recebem o nome de frequência sonora e intensidade. Sendo assim, sons graves são sons de baixa frequência enquanto sons agudos são sons de alta frequência e é lógico dizer o mesmo sobre sons médios, ou seja, sons de frequências médias. Todos os sons podem ser de maior ou menor intensidade, isto é, mais fracos ou mais fortes.

Se prestarmos atenção em uma pessoa falando, perceberemos que a voz humana é feita de diferentes sons também, sons mais graves e sons mais agudos. Imagine a palavra SOM. Ela é feita do som do "S" e também do som o "OM". O "S" é um som agudo, como um chiado ou o prato de uma bateria. Já o "OM" é um som mais grave, como notas da esquerda do teclado de um piano.

Então, se você não consegue escutar sons agudos, terá muita dificuldade em entender a diferença entre escutar as palavras "TOM", "SOM", "DOM" ou simplesmente "OM", afinal, se lhe faltam os agudos, como você conseguirá entender o "S" do som que é feito somente de sons agudos?

O mesmo acontecerá se for o contrário, ou seja, se você não escuta sons graves, entenderá a palavra "SOM" como apenas um curto e estranho "S"...

Entenda sua deficiência

O primeiro passo é consultar um médico e fazer um exame de audiometria. Ali será a porta de entrada para entender que tipo de deficiência auditiva você tem e se ela pode ser tratada, amenizada ou até corrigida com o uso de um aparelho auditivo.

Você entrará em uma sala a prova de som, o médico colocará um fone de ouvido especial em você e do lado de fora, irá utilizar uma máquina para produzir apitos de todos os tipos. O procedimento é simples, se você consegue escutar um apito, você avisa. Se não consegue escutar, faz aquela cara que é só sua. A máquina faz um apito e ele vai baixando o volume até o momento em que não é mais possível escutar. Nessa hora ele faz uma anotação que significa que aquele determinado apito que fica naquela determinada frequência sonora, só pode ser escutado se ele tiver o volume x.

Veja a imagem de meu audiograma. As bolinhas são o ouvido direito, as cruzinhas são o ouvido esquerdo. A coluna do gráfico é a intensidade sonora e a linha é a frequência sonora. Então quanto mais para baixo, pior... Perceba que eu escuto relativamente bem os sons mais graves que ficam à esquerda do gráfico, porém os agudos são mais problemáticos, com uma perda maior.

O próximo passo será procurar o aparelho, para ajudar, escrevi os outros artigos aqui sobre a Saga dos Aparelhos Auditivos, afinal você precisa de um aparelho adequado para seu estilo de vida.

Acuidade sonora

Sabemos a diferença entre "PATA" e "FACA" porque cada fonema "P", "T", "F" e "C", é feito de determinados sons.. nosso cérebro foi educado para decodificar isto. Se hoje não conseguimos escutar o som do "F" e amanhã voltamos a escutar, imediatamente nosso cérebro se lembra que aquele é o som do F.
O fonoaudiólogo faz também, um teste onde ele recita várias palavras para verificar sua acuidade sonora. As vezes apesar de escutarmos as palavras (porque o som dos fones está alto), não somos capazes de compreendê-las corretamente (lembra da velha surda da Praça da Alegria?) confundindo as palavras e uma "cuca turca" vira "puta surda", que horror!

Existem alguns casos, onde a pessoa passou tanto tempo sem escutar direito, que o cérebro não se "lembra" mais como são os sons.
Nesses casos, mesmo que o aparelho amplifique os sons que faltam, ainda a pessoa terá de passar por um processo de reeducação sonora, para que seu cérebro reaprenda que o "F", por exemplo, tem aquele determinado som. Isso significa que você precisará de muuuuuito mais calma e paciência, mas pode ser feito.

Adaptação

Os testes medem sua capacidade de escutar os diferentes tipos de som, sejam eles de alta, média ou baixa frequência. Lembra o que comentei logo acima sobre a palavra "SOM"?

Vamos então imaginar que por exemplo, você tenha perda auditiva na região dos sons agudos. Um aparelho auditivo poderá aumentar o volume dos sons agudos possibilitando que você os escute.

É aqui que começa o primeiro passo.

Imagine que fazem muitos anos que você escuta mal. No exame deu que você tem perda auditiva na região dos agudos. Isso quer dizer que há anos você quase não sabe o que são sons agudos. No instante em que você colocar um aparelho auditivo, um novo tipo de som passará a fazer parte de sua vida e é bem possível que isso seja uma surpresa bastante grande para você, especialmente se fazem muitos e muitos anos que você escuta mal.

É por isso que o aparelho precisará passar por uma muitas vezes longa fase de adaptação. Não será possível que no mesmo instante que você o colocar na orelha, saia escutando tudo como por milagre. O aparelho irá lhe incomodar, pois você não está acostumado a escutar todos aqueles sons. Seu mundo sonoro era mais restrito. Lembra como foi surpreendente quando as televisões passaram a exibir imagens coloridas ao invés de apenas em preto e branco? Hoje você escuta em preto e branco, amanhã poderá escutar colorido, mas para isso é preciso tempo de adaptação.

O fonoaudiólogo sabe disso e irá regular seu aparelho de forma progressiva e suave para que você vá aos poucos se acostumando com os novos sons até que só depois de completamente adaptado, você realmente esteja escutando todos os sons que lhe faltam sem que isso se torne um tormento em sua vida. Isso invariavelmente significará idas e vindas ao consultório para que de ajuste em ajuste, você chegue ao melhor resultado.

Agora que você está começando e entender a situação, também ficará mais fácil entender que quando mais eficientemente você informar ao seu fonoaudiólogo sobre o que é que efetivamente você está escutando, mais fácil será para ele ou ela, regular seu aparelho. O que quero dizer é que apesar do fonoaudiólogo saber que deve ir devagar com a regulagem dos sons, ele não tem como escutar com seus ouvidos e só suas informações poderão ajuda-lo a tornar sua vida com aparelhos o menos tormentosa possível.

O sonho dos fonoaudiólogos é ter uma pessoa como este que vos escreve como cliente, pois eu sou capaz de dizer a ela que preciso de uma amplificação de cerca de 6dB na faixa de 2khz. Claro que isso soará grego para o leigo, mas como eu procurei aprender o máximo possível sobre o assunto, minha vida torna-se mais fácil nessa hora. Você não precisa ir tão longe, mas se você for capaz de dizer que "faltam graves", ou "sobram agudos", ou "está muito metálico", ou "está muito abafado" e assim por diante, já será de grande ajuda. Se você anotar as coisas relativas aos tipos de ambientes que você frequenta, também poderá ajudar, veja um exemplo de uma coleta de informações sobre alguns dias de uso de um aparelho auditivo pela primeira vez:


  • "assistir novela - muito confortável"
  • "conversar com a família na cozinha - muito barulho de talheres e pratos"
  • "ir até a quitanda - um inferno de carros e buzinas"
  • "conversar com uma pessoa em lugar silencioso - perfeito"
  • "festa de aniversário de meu neto - quase fiquei louca, mas consegui conversar com minha nora finalmente..."
  • "consegui escutar o padre falando na igreja"


Estas informações são essenciais para ajudar o fonoaudiólogo a conseguir regular seu aparelho de maneira mais eficiente.

Lembre-se que você só poderá atingir o máximo de eficiência depois que tiver passado pela fase de adaptação e isso poderá levar várias semanas. Antes disso, o aparelho estará agindo de forma mais discreta e é claro, menos eficiente. Tenha paciência, isso é essencial.


Dicas de ouro


  • Acalme-se, mergulhe na aventura quando estiver sob menos stress, pois é preciso estar preparado para um certo tempo até que você esteja 100% sintonizado com seu novo aparelho.
  • Vá ao médico, entenda sua deficiência
  • Aprenda o que são sons graves e agudos
  • Tenha paciência para se adaptar aos aparelhos
  • Anote o que percebeu nos mais diferentes ambientes
  • Volte ao fonoaudiólogo regularmente para novos ajustes
  • Cuide muito bem de seus aparelhos, não deixe o cachorro mastiga-los

Muito importante

Nunca tenha vergonha de sua condição e muito menos de seus aparelhos. Sinta-se orgulhoso de levar toda aquela tecnologia nas orelhas, conte para as pessoas, mostre os aparelhos para elas, conte como você aprendeu todas essas coisas e como agora você consegue escutar melhor.

Você é um vencedor! Agora e sempre!

domingo, 24 de abril de 2016

A perda do pai e outras dores e amores ou "como tornei-me ateu e segui a vida feliz"

Naquele dia chuvoso, este menino todo molhado, depois de tomar o ônibus errado e voltar para casa muito atrasado, procurou o aconchego do pai quando em sua casa entrou.
Encontrou a casa vazia. Chamou, repetiu, não era o que ele queria. Procurou, mas não encontrou. O pai sumido havia...
Passou um dia, passaram dois, passaram três, uma semana, um mês, um ano se passou... o pai nunca mais retornou.
Na solidão de sua responsabilidade, entendeu que a partir dali, teria de tomar conta de si.
Ficou claro que não adiantava mais pedir ajuda ao pai, que este não viria mais.
Percebeu que não adiantava correr para o pai e se desculpar pelos erros, pedir conselhos, agradecer pelos acertos, pedir ajuda.

Na solidão de seu novo dia, descobriu que era o único responsável pelo seu sucesso, descobriu que sozinho poderia muito facilmente, fazer acontecer o pior de seus fracassos.
Entendeu que se mantivesse o foco e se esforçasse muito, o sucesso poderia acontecer, viu também que se não ficasse atento e alerta, o fracasso viria correndo interceder.
Descobriu também que a não ser pelo prazer e pela alegria de sentir o alivio que trouxesse até alguém que precisasse de sua ajuda, ninguém mais lhe recompensaria pelo seu ato de bondade. Não se importou com isso, achou que não fazia diferença, afinal bastaria o prazer e alegria de fazer algo de bom.
Também entendeu que a não ser pela vergonha e pela culpa em trazer dor e sofrimento para outro alguém, este menino não seria punido mais tarde. Também não achou que isso fizesse alguma diferença, afinal a vergonha e a culpa continuariam ali.

Este menino ficou feliz ao perceber que quando alguma coisa dava errado, ele não estava sendo punido por ser negro, ou crente, por ser ateu ou doente, ou rico ou branco, ou gay ou santo; estava cada vez mais claro que ele não tinha como ter controle sobre as outras pessoas e que o acaso era o motor do mundo.
Este menino entendeu que as desgraças não escolhiam a cor das pessoas, nem aquilo que elas acreditavam ou deixavam de acreditar. As desgraças também não escolhiam as pessoas, não se importavam com elas. Apesar de não querer que alguma desgraça o atingisse, isso o fez de alívio respirar. Ele poderia escolher entre ficar desesperado ou refazer-se de força para enfrentar a vida com vontade de reconstruir aquilo que fora destruído.

Este menino também entendeu que um golpe de sorte não era um golpe de sorte, mas sim puro acaso que pegava quem estava passando como o vento que leva as folhas sabe-se lá para onde. Entendeu nada daquilo estava escrito e o que eventualmente estava escrito, alguém tinha escrito, só isso. Este menino poderia ser alvo de alegrias ou de tristezas e também entendeu que ele poderia escolher entre olhar para uma e outra coisa com serenidade e sabedoria ou então polarizar suas emoções explodindo sem controle diante das alegrias ou então saltando no mergulho trágico da depressão diante das tristezas.

Este menino cresceu, tornou-se adulto e entendeu que o pai que sumira tinha sido apenas uma ilusão. Sim, menino, criança do pai precisa, mas já adulto, é hora de crescer. Refeito do medo e da dor da separação, passou a se amar mais. Passou a sentir mais as pessoas e o mundo pulsando ao seu redor. Começou a sentir o calor do fim do dia ou dos primeiros raios de sol. O arrepio da água fria, o brilho das estrelas no céu, o acariciar da brisa. Entendeu que era nuvem passageira, quase irrelevante, pequeno diante do mundo gigante acelerando ao seu redor. Mundo que corre solto, que nasce, vive, morre sem se dar conta de si, sem perceber sua grandeza, imensidão e até sua própria efemeridade.

Esse menino aprendeu várias coisas durante esse tempo, que rezar significava meditar e que meditar significava dar um tempo para poder escutar seu próprio coração e que isso era muito bom.

Aprendeu que por mais que pedisse, o universo só conspiraria a seu favor se ele agisse, o que significaria que ele teria conspirado a seu favor, e não o tal universo, mas os resultados eram ótimos.

Descobriu que depois que ele morresse, poderia continuar vivendo nas mentes e corações das pessoas para quem ele tivesse tido algum significado, então passou a tentar criar esse significado enquanto vivesse.

Descobriu que tudo aquilo que estava escrito nas páginas que os homens chamavam de sagradas, tinha sido escrito pelos mesmos homens que tinham dito que suas páginas eram sagradas, portanto.. bastante questionável, apesar das eventuais boas intenções que pudesse motiva-los.

Percebeu também que a maior parte dos homens que gastavam a maior parte da energia de seu dia defendendo as tais palavras sagradas que os outros homens tinham escrito, tinham na maior parte das vezes, interesse em tornar-se sagrado, transcendendo assim, as tais palavras.

Entendeu que o pecado está dentro da cabeça dos homens e que aquilo que foi pecado um dia, poderá se tornar várias outras coisas, inclusive virtude no dia seguinte e vice versa.

Esse menino aprendeu que é bom consolar as pessoas que sofrem com uma colherada de mel bem doce, mas que mais tarde é importante também que estas pessoas compreendam que aquilo é apenas mel bem doce e nada mais que mel bem doce.

Sentiu que era preciso permanecer ali, no mundo, no universo... vivendo, sentindo, ouvindo, observando, entendendo, amando enquanto fosse possível. Pois logo, muito logo, quando ele menos pudesse esperar, ele desapareceria do mundo e tudo aquilo continuaria exatamente da mesma maneira, apenas sem ele para viver, sentir, ouvir, observar e amar. Seu único consolo seria seguir vivo na memória das pessoas com quem ele tivesse vivido, as pessoas que ele tivesse sentido, ouvido, observado e amado.

texto: Silvio Ambrosini
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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Por que a fé alega ser hermética?

É interessante observar que as pessoas do mundo ocidental procuram sempre se certificar de que a liberdade de expressão não está sendo cerceada de alguma forma. Assim, todos tem o direito de criticar, tirar sarro ou até ridicularizar, por exemplo, o pessoal do Funk, ou os camelôs, ou os ciclistas, ou os que caminham digitando no celular e caem em buracos na rua, ou talvez as donas de casa ou os nerds, os palmeirenses, os coritianos ou os gremistas e os colorados também. Os gays também podem ser alvo de críticas e brincadeiras, os negros, os pobres, os judeus... até os políticos podem (e  estes devem) ser criticados, ridicularizados e etc..

Tudo bem, o politicamente correto intercede, mais por sua hipocrisia contemporânea do que por convicção real, mas sempre sobra uma farpa amiga ou um muxoxo de desprezo que pode ter lugar nas conversas do dia a dia... porém, quando se fala de fé.. pode parar por aí!

Se alguém criticar a fé do outro, então a ofensa está feita! Não estou falando só de fé em deus ou deuses e deusas, pode ser a homeopatia ou as superstições.

Parece que os detentores das "verdades" de sua fé, julgam-se herméticos. Dize-se mal de ateus, mas ouse criticar alguém que acredita que existe um deus deliberando entre as nuvens... Fala-se mal de remédios e vacinas, mas ouse alegar que homeopatia é inócua.

Pessoalmente acho que a liberdade de expressão deveria valer para todos. A fé não é mais nobre do que o time de futebol ou o partido político, embora muita gente vai achar essa frase um absurdo.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Morte na fila




No caixa eletrônico, uma longa fila. Tomo meu lugar calmamente, afinal apesar de ser mundialmente, intergalacticamente famoso, eu também pego fila, não é mesmo?

Faltavam apenas duas pessoas para chegar minha vez, quando surge um cidadão pela lateral esquerda armado com seu cartão e posiciona-se criando uma fila "caixa dois"...

Com o canto do olho fiquei observando e como previsto, libera o caixa e ele corre para a máquina para iniciar seu relacionamento com a tela.

Indignado, não me aguento e caminho até ele: "Senhor, senhor, tem uma fila lá atrás, o senhor não viu?". Enfezado, ele responde que quando ele chegara ao banco, não havia ninguém na fila e que ia ficar lá mesmo.
Achei um absurdo, "O senhor está furando a fila, isto está errado, o senhor deve voltar lá para o final, todas essas pessoas estão aqui esperando."
E ele mais enfezado ainda, dizendo que não ia pra fila "coisa nenhuma".

Então eu tinha que escolher entre resignar-me, subir em cima do muro, tomar um posicionamento neutro em um momento de crise e terminar no mais negro buraco do inferno de Dante ou agir. Claro que eu não ia bater no homem, então decidi usar minha ferramenta verborrágica:
"Vejam todos!! Vejam! este cidadão furou a fila, todos os senhores e senhoras estão aqui esperando sua vez e ele ultrapassou a todos. Todos estão aí calados e nada vai ser feito? Que absurdo! Que descalábrio! Provavelmente o senhor deve ser um político, não é mesmo? Onde é que estamos? Quem este homem pensa que é? Ele se acha melhor que todos? Furar a fila é um desrespeito!, uma falta de consideração por todas as pessoas que estão aí esperando a vez. Nada será dito? Nada será feito? Senhorita, senhorita, este homem furou a fila, faça alguma coisa!!"

A tal senhorita de jaqueta laranja lhe passou um pito, mas ele permaneceu incólume virado de costas fazendo suas transações enquanto eu me esvaía no meu texto.

Então, ele foi embora e ninguém mais disse nada, eu também parei de falar e assim terminou mais um momento de ligeira quebra de rotina na vida daquelas pessoas que jaziam mortas fazendo fila ao meu redor.

Eu, em compensação saí do banco vivo, pulsando, com o sangue correndo pelas minhas veias em alta temperatura e pronto para mais um dia não sem antes dividir isto com vocês, que espero profundamente que não estejam mortos como aquelas pessoas da fila.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus mas não cumprius

Fui ao cinema cheio de expectativas, afinal a nova obra de Ridley Scott chegou as telas, e ainda em IMAX 3D. Fui um dos primeiros a entrar na sala, sentei na poltrona enquanto lia o final de "A rainha do castelo de ar" do Stieg Larsson e observava as pessoas que iam se instalando em suas poltronas.
Um casal sentou-se exatamente na minha frente e se mostraram desconfortáveis, pois éramos praticamente os únicos no cinema ainda. "Quem reserva os melhores lugares costuma chegar primeiro também...", disse eu e eles sorriram como que autorizados.

Ridley Scott me impressiona pela sua obra máxima "Blade Runner" e também por "Alien", obras primas perenes. O androide de Blade Runner quer a vida eterna, ou ao menos evitar morrer tão cedo. O monstro de Alien quer perpetuar sua espécie. Os astronautas de Prometheus querem a explicação divina, querem as respostas as velhas perguntas "de onde eu vim?, qual meu propósito? quem me criou?". Apesar de estarmos em 2093 e os personagens serem pessoas pretensamente cultas, cientistas afinal... com uma visão científica das coisas, não é mesmo? Apesar disso essas perguntas literalmente torturam e motivam os personagens a seguir em frente. É de se estranhar que um grupo seleto de cientistas esteja nessa situação de busca desesperada pelo sentido da vida e ainda mais, pela vida eterna. É de se estranhar que Ridley Scott faça questão de nos empurrar seu teísmo goela abaixo nos atos de seus personagens, o que aconteceu? Chegou a senilidade? Só jesus salva?

Não gostei do filme, esperava mais de um monumento cinematográfico, senti tédio ao ver gente inteligente alegando que a busca pelas respostas é o sentido de suas vidas, cientistas fanáticos por símbolos religiosos, por mensagens divinas implícitas em desenhos dos homens das cavernas.
Não sei se por ser ateu, esteja eu manifestando fanaticamente meu desapego pelos "mistérios divinos", ou se apenas me desagradou o fanatismo religioso de Ridley Scott escorrer pela tela. Isso sem falar em clichês como o do geólogo que fica histérico no meio da missão e arma um barraco após 15 minutos de tensão no início do filme... o que ele esperava ao viajar até uma galáxia distante em busca de ETs? Dar um abraço no próprio ET Spielberguiano? A "dona" da espaçonave literalmente incinera um dos astronautas que ficou doente e começou a tossir, no máximo ela é chamada de malvada... será que estou ficando chato demais ou o filme é mesmo uma palhaçada?

Claro, a cena da cesariana é simplesmente fantástica, apesar da recém-operada sair correndo pelos corredores nos minutos seguinte, assim como outros gadgets que o pessoal tem a seu dispor. O sacana robô David também está ótimo, alguém disse que ele é parecido com Hal9000 no físico do androide malvado de Blade Runner, mas tudo termina por aí. Tá bom, a fotografia é bacaninha, os subwoffers balançam os brincos das orelhas das mina, o 3D não serve de nada.

Oh, perdoa-me por ser chato, muita gente está elogiando o filme...

domingo, 17 de junho de 2012

Totalmente semi-marceneiro (ou como construir um escorregador infantil))

Após algum tempo sem postar, publico algo que se encaixa no título do blog como... bem, encaixa bem encaixado.


Deve correr sangue de meu avô nas veias, é claro, afinal Francisco Guerreiro Candeias era um artista da madeira. Claro que seu neto não lhe faz jus nem ao rodapé das calças furadas, afinal meu finado avô chegou a ser premiado na primeira Bienal de São Paulo por seus fantásticos entalhes.

Bem, nada de entalhes, estou aprendendo a mexer com madeiras e já me diverti produzindo algumas bobagens como este galinheiro, uma estante para a dispensa, minha bancada de trabalho.. tudo feito com lixo, madeira de obra jogada fora.

Mas o grande desafio estava por vir, claro.. ainda virão outros, mas eu queria porque queria construir um escorregador para minha filha Sol.

Fiz o projeto com o software do Google, o Sketch-up que faz miséria com projeto em 3D.

Cheguei a orçar um desses em algumas empresas.. Ninguém pediu menos de R$2.000,00.

Comprei as madeiras, para o escorregador escolhi o angico que é uma madeira nobre - atenção à direção das fibras, passe a mão para sentir o lado que vai escorregar -, e para a estrutura é caibro comum além do eucalipto bruto tratado para os postes.
Gastei R$500,00 e coloquei mãos a obra:
Estrutura da plataforma

Repare que no detalhe, a junção das peças da plataforma. Descobri que é quase impossível recortar as peças de forma que realmente se encaixem perfeitamente... divertidíssimo.
Estrutura que quase se encaixa, repare nos pedacinhos de madeira para completar os espaços.

Em seguida parti para a construção do escorregador propriamente dito. Duas tábuas juntas com cavilhas e as laterais parafusadas.

O escorregador será a parte que ficará em contato com a bunda dos escorregandos (escorregandos são aquelas pessoas que escorregam no escorregador, para quem não sabe), por isso tem que lixar muito, mas muito mesmo.. e para isso vale a pena comprar um suporte para lixa que custa 30 reais, pois a lixa se desmancha e não tem apoio se fizer direto na mão.

Orçamento subindo...

Encaixe que deverá manter o escorregador preso a plataforma.

Para manter a estabilidade do escorregador, três sarrafos transversais. Repare que deixei  uma pequena folga para encaixar os sarrafos perfeitamente. Olhando de lado, eles ficam invisíveis.


O grande desafio era construir a escada. São nove degraus que deveriam ter exatamente o mesmo tamanho.. alguns precisaram ser trimados. Minha ideia (estúpida) inicial era usar cavilhas, mas em conversa com um marceneiro de verdade, ele condenou totalmente, sugerindo que eu fizesse um rebaixo para que os degraus encaixassem.. fiquei apavorado, passei horas medindo e alinhando até que finalmente criei coragem e mandei braza na serra circular.
Para ganhar estabilidade, coloquei dois prisioneiros embaixo dos degraus. Na verdade só fiz isso na segunda vez, na primeira eu furei acima dos degraus, só percebi mais tarde, cretino...
Detalhe do encaixe dos degraus.
Repare que fiz um escareado para embutir os parafusos dos prisioneiros.
A próxima etapa infernal foi preparar os troncos de sustentação principais para receber o peso da plataforma.

Cada tronco foi escavado transversalmente com vários cortes e profundidade de 4cm. Muita calma nessa hora, os dentes da serra circular já estão sofrendo e alguns já cairam... sabe que uma maldita serra nova custa quase R$100,00? Meu orçamento já subiu mais um pouco.

Depois de feitos os cortes, basta dar umas marteladas e os pedacinhos de madeira se quebram facilmente.






Depois, com o formão você vai cortando os pedacinhos que sobraram até ficar mais ou menos liso.

Muito cuidado com a serra circular, vale a pena usar um óculos de proteção, pois os pedacinhos de madeira voam magneticamente para dentro de seu zóio, sua besta.

O saldo final de escoriações foram um pequeno esfolado na falange, uma queimadura de leve no dedo, dores nas costas que foram corrigidos com banho de imersão, sais caríssimos da L'Occitanne, um comprimido de Lisador, um comprimido de Neosaldina, creme anti-dores para o cotovelo e um leve aditivo nada ilícito, sabe?

Aí está o corte após o trabalho de formão, veja os pedacinhos que bonitinhos.
Agora começam os ensaios estruturais. Fiz os furos  para colocar os prisioneiros que precisam encaixar perfeitamente. Não adianta medir, nunca vai encaixar se você não fizer isto. 
Detalhe da plataforma graciosamente encaixada no tronco estrutural. Claro que tirei a foto do lado mais bonito.
Agora temos de fazer o chão da plataforma. Apesar do martelo na foto, todas as tábuas foram parafusadas.
Foi o cão chupando manga carregar toda a tralha para o local onde o escorregador ficará montado, e ainda tive de carregar tudo sozinho. 

Agora temos um novo cenário, já bem mais definitivo.

Para quem não sabe o que é, estes são os prisioneiros, um parafuso que vende por metro e você corta no tamanho desejado com o arco de serra (use o torno de bancada pra segurar, senão escapa e arranca pedaço do seu dedo, Lula), esmerilha as pontas pra poder botar as porcas e tchanãn.
Não morra de ódio, marque sempre a posição das peças para não misturar.
Não consegui colocar a estrutura de pé sozinho, tive de pedir ajuda pros pedreiros da obra ao lado, mas agora o brinquedo já começa a tomar forma. 

Ainda falta fazer os buracos no chão.

Paguei R$20,00 pro pedreiro fazer os buracos, dá licença que não matei meu pai né? Cavar buraco ia me deixar as mãos cheias de calos e provavelmente eu teria de tomar algo mais forte pra dormir sem dor e sofrimento.









Estrutura já posicionada nos buracos de 30 cm de profundidade.
Buracos fechados, escada posicionada
Brinquedo quase pronto, já com o escorregador e a escada. Repare minha bancadinha móvel, presente de minha santa Mãe.
E é claro, o resultado final compensa qualquer corte, dor nas costas, queimadura, etc.
Ah, sim. As madeiras aparelhadas são Angico enquanto que os postes são eucalipto tratado. Já fiz algumas outras coisas, como prateleiras, e até mesmo a casinha de bonecas, você viu?