terça-feira, 13 de abril de 2010

Tudo pode dar certo - Whatever works - Woody Allen

Me conta uma coisa, você não fica contente quando vê o trabalho de um profissional que domina o que faz com um pé nas costas, faça chuva ou faça sol?
É como me senti ao assistir o novo filme de Woody Allen. Ele se dá ao luxo de ter um personagem que é ele mesmo, seu alter-ego presente em filmes anteriores, neurótico, pessimista, crítico até a maldade e extremamente inteligente.
O ator em questão é justamente o roteirista do seriado Seinfeld, então se você conhece já começa a entender que há bastante coisa em comum.
O filme é delicioso, os diálogos são picantes e inteligentes; New York está de volta, os monólogos virados de frente para a plateia como o da foto acima também. Na verdade, o protagonista é o único que "sabe" que está em uma tela de cinema e um monte de gente está assistindo, isso deixa claro o quanto ele está um passo a frente de tudo o que acontece. Como no momento em que sua namorada rompe a relação e ele diz "Isso não me surpreende, afinal o universo inteiro está se desfazendo, como eu poderia esperar que nossa relação durasse para sempre?", ou quando ele diz que "É fácil ver que a humanidade está degradada quando as pessoas são obrigadas a inventar descargas automáticas, as pessoas não são mais capazes de dar descarga por si mesmas!".

Vou quebrar seu galho, o filme está aqui.

Igreja Católica Medieval, agora e sempre.

Ao ler a primeira página da Folha de São Paulo nessa manhã, passei pelo ingênuo assombro diante do depoimento de um cardeal (que é Secretário de Estado do Vaticano) ao dizer que a "pedofilia está vinculada a homossexualidade".

Isso acontece apenas alguns dias após o "Santo" Papa Bento XVI, num repente garbista responder com um "I want to be alone" os assédios da imprensa ao ser pressionado quanto ao seu perdão ao padreco comedor de criancinhas que foi notícia dos jornais recentemente.

A fórmula do Vaticano é simples, e lamentável: "culpem os viados!" 

Pessoalmente não sou especialista em comportamento da psique humana, mas você sabe e eu sei a diferença entre uma criancinha, seja ela menino ou menina e um adulto do sexo masculino. Me parece mais sensato entender que a pedofilia termina quando a criança manifesta seus primeiros hormônios que irão diferenciar meninos de meninas de forma mais clara. Deixará de ser criança para tornar-se homem ou mulher. Na minha humilde e ignorante opinião, criança é só criança, é anjo e anjo não tem sexo.

Homossexual então, será aquele que optará por fazer sexo com pessoas do mesmo sexo assim que este (o sexo) ficar bem claro nas características físicas dessa pessoa. O homem então terá desenvolvido pelos, sua voz terá ficado mais grossa, seu corpo ficará mais masculino enfim.

Claro que há exceções, mas como tal, encaixam-se nos candidatos a tratamento psicanalítico para dizer o mínimo.
É mais sensato concluir também que é possível que um pedófilo seja homossexual, porém concluir (e divulgar à imprensa) o oposto é uma demonstração de parcialidade, desespero de causa e desonestidade sem precedentes. Não vejo então, a opinião do Cardeal como ignorância, mas sim como uma jogada de pura sujeira que busca na válvula de escape mais próxima, uma justificativa para o (moralmente) injustificável.

A Igreja Católica uiva de desespero, recalque e profunda morbidez ao manifestar em pleno século 21 os mesmos pensamentos e conclusões que usou como base para suas atitudes medievais.

Você tem algo a perder?