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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus mas não cumprius

Fui ao cinema cheio de expectativas, afinal a nova obra de Ridley Scott chegou as telas, e ainda em IMAX 3D. Fui um dos primeiros a entrar na sala, sentei na poltrona enquanto lia o final de "A rainha do castelo de ar" do Stieg Larsson e observava as pessoas que iam se instalando em suas poltronas.
Um casal sentou-se exatamente na minha frente e se mostraram desconfortáveis, pois éramos praticamente os únicos no cinema ainda. "Quem reserva os melhores lugares costuma chegar primeiro também...", disse eu e eles sorriram como que autorizados.

Ridley Scott me impressiona pela sua obra máxima "Blade Runner" e também por "Alien", obras primas perenes. O androide de Blade Runner quer a vida eterna, ou ao menos evitar morrer tão cedo. O monstro de Alien quer perpetuar sua espécie. Os astronautas de Prometheus querem a explicação divina, querem as respostas as velhas perguntas "de onde eu vim?, qual meu propósito? quem me criou?". Apesar de estarmos em 2093 e os personagens serem pessoas pretensamente cultas, cientistas afinal... com uma visão científica das coisas, não é mesmo? Apesar disso essas perguntas literalmente torturam e motivam os personagens a seguir em frente. É de se estranhar que um grupo seleto de cientistas esteja nessa situação de busca desesperada pelo sentido da vida e ainda mais, pela vida eterna. É de se estranhar que Ridley Scott faça questão de nos empurrar seu teísmo goela abaixo nos atos de seus personagens, o que aconteceu? Chegou a senilidade? Só jesus salva?

Não gostei do filme, esperava mais de um monumento cinematográfico, senti tédio ao ver gente inteligente alegando que a busca pelas respostas é o sentido de suas vidas, cientistas fanáticos por símbolos religiosos, por mensagens divinas implícitas em desenhos dos homens das cavernas.
Não sei se por ser ateu, esteja eu manifestando fanaticamente meu desapego pelos "mistérios divinos", ou se apenas me desagradou o fanatismo religioso de Ridley Scott escorrer pela tela. Isso sem falar em clichês como o do geólogo que fica histérico no meio da missão e arma um barraco após 15 minutos de tensão no início do filme... o que ele esperava ao viajar até uma galáxia distante em busca de ETs? Dar um abraço no próprio ET Spielberguiano? A "dona" da espaçonave literalmente incinera um dos astronautas que ficou doente e começou a tossir, no máximo ela é chamada de malvada... será que estou ficando chato demais ou o filme é mesmo uma palhaçada?

Claro, a cena da cesariana é simplesmente fantástica, apesar da recém-operada sair correndo pelos corredores nos minutos seguinte, assim como outros gadgets que o pessoal tem a seu dispor. O sacana robô David também está ótimo, alguém disse que ele é parecido com Hal9000 no físico do androide malvado de Blade Runner, mas tudo termina por aí. Tá bom, a fotografia é bacaninha, os subwoffers balançam os brincos das orelhas das mina, o 3D não serve de nada.

Oh, perdoa-me por ser chato, muita gente está elogiando o filme...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Paul "Quem está a fim de um contato imediato?"

Todo mundo pensa que eles são gays, o que eles educadamente, negam. É só uma grande amizade entre dois nerds ingleses, loucos por quadrinhos, um deles escritor (de estórias sobre extraterrestres) e o outro ilustrador, daí provavelmente a origem da grande amizade.

A dupla vai para os EUA visitar uma feira de quadrinhos e a aproveitar a viagem para uma trip de turismo nerd, visitando lugares como Roswell Valley, Area 51 e assim por diante. Tudo a ver com ET.

O que acontece em seguida é o surreal encontro com um... verdadeiro ET. Na voz de Seth Rogen, o extraterrestre Paul, está fantástico como (mais) um nerd legítimo, porém em sérios apuros.

A dupla precisa ajuda-lo e assim corre a história. Parece simples? Mas é bem divertido sem ser piegas, tocando em temas como a existência de Deus, Charles Darwin e sobretudo, amizade.

Assista!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

The kids are all right

Relações são sempre complicadas, passamos a vida pisando em ovos. Junte a isso filhos adolescentes e pimba! uma verdadeira fornalha.

Mas, humanos são assim complexos e maravilhosos, curiosos e esperançosos, carentes e amorosos.

O filme conta a história do casal gay estrelado por Juliane Moore (sublime) e Anete Bering (é assim?) cujos filhos querem conhecer o cara que doou esperma para que elas pudessem engravidar. As convicções pessoais são colocadas a prova neste filme imperdível, inteligente e belo e que muito tem para nos mostrar.
Há diálogos interessantíssimos, por exemplo quando Anete (sem saber) quer ver o que Juliane está aprontando "lá nos fundos", com triplo sentido.
Não perca!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Como treinar seu dragão

Numa terra onde neva nove meses por ano e cai granizo nos outros três, onde os alimentos são duros e sem gosto e as pessoas ainda mais... A única vantagem são os animais de estimação, enquanto nos outros lugares as pessoas tem papagaios e pôneis, aqui nós temos... Dragões!

A deliciosa animação da Dreamworks conta uma história onde a inteligência prevalece sobre a falta dela, gostaria de ver isso acontecer nas eleições.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dos Hermanos - como um bom vinho

Fazia tempo que não ia até o GayCaneca ver um filmaço e o argentino Dois Irmãos tirou o atraso em alto estilo.

Sai do cinema com a sensação de quem acaba de bebericar um bom vinho sentado numa calma mesa em companhia de amigos. Dois irmãos é cinema alternativo e sem dúvida, uma excelente alternativa à pluralização generalizada de todos os conceitos do cinema de hoje. Ao contrário, o filme é minimalista e concentra-se no mais puro exercício do talento artístico de Antonio Gasalla e Graciela Borges, grandes nomes do cinema argentino.

Se você quer resenhas completas, procure os comentários dos jornais, a mim basta saber e comunicar que senti um imenso prazer ao ver um cinema centralizado no ATOR (na ambivalência de gênero).

Diálogos deliciosos, interpretação deliciosa e nada mais que a vida tão pura, tão crua que muito cabeça de bagre sai do cinema achando que não viu um filme e sim que passou uma hora e meia bisbilhotando a vida dos outros.

Mas como bisbilhotar é uma delícia, assista Dos Hermanos!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Alice nos país das decepções

Quando muito jovenzinho, li Alice nos país das maravilhas em quadrinhos. Era a personificação de uma jovem meio desorientada que resolve arriscar na ideia do "querer acreditar", presente na obra de Carlos Castaneda e posteriormente na genial referência dos irmãos Wachowski: "Matrix" e seguir o coelho até entrar na sua toca.

Tim Burton, de quem sempre fui fã, até então quase incondicional (vou passar a revisar melhor isso) reproduziu com maestria essa primeira parte, porém tristemente o resto do filme cai em uma mesmice sem precedentes.

O talentoso Johnny Depp transformou a loucura desmedida e inconsequente do chapeleiro louco de Lewis Carol em um personagem infantil e que pouco ou quase nada acrescenta a história.

A rainha de copas está longe da tirania da rainha original já que essa, apesar da sensacional cabeçorra digital não conseguiu me convencer.


Claro, o mundo da Alice Burtoniana é impressionante, o figurino é simplesmente bárbaro, a direção de arte sublime, mas infelizmente acontece mais uma gafe... o 3D não fez a menor diferença, parece que Tim Burton não soube ou não se interessou por explorar as vantagens da tridimensionalidade no cinema, coisa que James Cameron faz maravilhosamente com Avatar.

Não há dúvida que eu era muito mais impressionável na época em que li a história nos quadrinhos Disney, mas guardando suas devidas proporções, eu esperava ao menos que a história de Burton me reservasse alguma surpresa.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tudo pode dar certo - Whatever works - Woody Allen

Me conta uma coisa, você não fica contente quando vê o trabalho de um profissional que domina o que faz com um pé nas costas, faça chuva ou faça sol?
É como me senti ao assistir o novo filme de Woody Allen. Ele se dá ao luxo de ter um personagem que é ele mesmo, seu alter-ego presente em filmes anteriores, neurótico, pessimista, crítico até a maldade e extremamente inteligente.
O ator em questão é justamente o roteirista do seriado Seinfeld, então se você conhece já começa a entender que há bastante coisa em comum.
O filme é delicioso, os diálogos são picantes e inteligentes; New York está de volta, os monólogos virados de frente para a plateia como o da foto acima também. Na verdade, o protagonista é o único que "sabe" que está em uma tela de cinema e um monte de gente está assistindo, isso deixa claro o quanto ele está um passo a frente de tudo o que acontece. Como no momento em que sua namorada rompe a relação e ele diz "Isso não me surpreende, afinal o universo inteiro está se desfazendo, como eu poderia esperar que nossa relação durasse para sempre?", ou quando ele diz que "É fácil ver que a humanidade está degradada quando as pessoas são obrigadas a inventar descargas automáticas, as pessoas não são mais capazes de dar descarga por si mesmas!".

Vou quebrar seu galho, o filme está aqui.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Coração Louco, Saco Cheio

É, assisti Coração Louco, o filme que deu a Jeff Bridges a tal estatueta dourada que a Penélope Cruz costuma levar para a praia.

Sabe, fiquei contente, afinal o filme é ruim pacas, um clichê melodramático sobre superação de alcoolismo e trapalhadas sentimentais, regada pela música sertaneja dos americanos, ou seja, um porre só do início ao fim. Mesmo assim a academia colocou isso de lado (como sou ingênuo, um monte de gente a-mou o filme) e premiou o cara pelo seu feito.

Tá bom, tecnicamente o filme não parece ter muitos defeitos, não que eu me lembre, afinal eu não sou exatamente um técnico do assunto para falar com propriedade, de repente vai aparecer você aqui e dizer que sou um cego mesmo... eu vi sim uma narrativa bem linear, roteiro clássico com começo meio e fim bonitinho, daqueles que o povo aprende na faculdade, tem mocinha com filho engraçadinho do primeiro casamento, tem a cena do susto, tem a disputa sentimental entre o professor decadente e o aluno producente, tudo bem, mas no fim Jeff Bridges mandou bem pacas! Ele está tão bom que o filme parece um documentário. Se você se interessa por ver uma atuação absolutamente fluida e incorporada, e não faz questão de assistir um bom filme, então veja esse.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cadillac Records é história para quem ama Rock'n Roll

Agradeço meu amigo Rodrigo pela sugestão, acabo de assistir Cadillac Records, sensacional história do Rock'n Roll.

O filme conta a trajetória de monstros como Muddy Waters, Little Walter, Chuck Berry, Etta James, Howling Wolf e outros.

No meio de muita música de altíssima qualidade e emoção, há algumas pérolas que vou tentar enumerar:

Howling Wolf (Lobo que uiva), tinha uma voz de trovão, era o Lobo Mau Mau Mau, dizem que um morto levantou do cemitério e afinou sua guitarra, desde então ele vem uivando para a lua desde esse dia.

Cinco ingleses com seus instrumentos foram até o estúdio da Cadillac Records e ao encontrar com Muddy Waters na porta, disseram Sr Waters, somos super fãs seus, o senhor é o motivo de termos reunido nossa banda, demos a ela o nome de uma de suas músicas e ele respondeu é mesmo? qual? a resposta veio na hora, Rolling Stones. 




E por aí vai... Obrigado Rodrigo!! Visitem o blog dele!! Viva o Rodrigo!!

Fantástic Mr Fox - Stop Motion nú e crú

Absolutamente fantástico esse novo longa de animação Stop Motion, o Fantástico Senhor Raposo.

Adoro ver um filme feito a la antiga, em plena era tecnológica. Fiquem atentos às fumaças que rolam no filme, elas são feitas com algodão, é bárbaro!

A fábula conta a história de Mr Fox que ao ficar sabendo que sua esposa estava grávida na mesma hora em que se meteu numa grande enrascada, sua esposa o fez prometer que largaria a vida de roubar galinhas (e outros pássaros com seus nomes científicos corretamente pronunciados em latin)

Mr Fox passa a ser um escritor com uma coluna em um jornal, mas em que a família soubesse, continua com suas incursões noturnas para roubar algumas galinhas de vez em quando. É aí que se mete em uma encrenca de proporções continentais, envolvendo não só a família, mas toda a vizinhança e tem que naturalmente assumir as rédeas para resolver os graves problemas.

Amor, fidelidade, ciume, frustrações, preconceitos, e mais um monte de situações são exploradas de forma muito irônica e divertida. Veja o trailer




E pegue o filme inteiro com legendas aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O filme "An Education", receita para sair do tédio.


Tive a grata satisfação de ser convidado para uma avant premiere de "An Education", um dos filmes (ouvi dizer) que será indicado ao Oscar de melhor filme e que perderá para Avatar de James Cameron... oh!! não era pra contar? Santa ingenuidade, Batman...

Educação acontece na fria, tediosa, melancólica, preconceituosa Inglaterra de 1962 (muito bem fotografada por sinal). Uma família de classe média cujo pai dedica o "pouco que ganha" (ele é super exagerado) à meta de colocar a filha Jenny (absolutamente linda, atualmente trabalhando num montão de novos filmes, ela vai dar o que falar) de 16 anos na universidade de Oxford.

O pai deixa ela tocar violoncelo, mas é só para fazer parte da orquestra e parecer social.
Bem, a moça conhece um playboy que facilmente convence os pais de que ela pode sair com ele para os mais diversos passeios, o cara tem uma lábia impressionante... ela fica fascinada com uma vida que jamais havia experimentado, concertos, jazz, festas, compras.. tudo parece lindo até que...

Até que você assiste o filme, não perca.
Aqui
tem tudo o que você precisa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Os homens que olhavam as cabras

Imagine alguém capaz de matar uma pobre e simpática cabra (a do cartaz do filme) só com o olhar.
Logo no início há um comentário a sério de George Clooney: "The Silence of Goats", em referência ao "The Silence of Lambs". O comentário é apenas um trocadilho, uma piadinha que dá o tom a esse filme cheio de grandes atores, cheio de ironias e críticas escondidas ao governo Bush.

A ideia é bem interessante, Ewan McGregor, que fica ótimo em papeis onde ele mostra fragilidade (não percam I Love You Philip Morris com Jim Carrey e Rodrigo Santoro), é um reporter que levou um chute da namorada. Faz o que "todos os cornos fazem", vai para a guerra que no caso, é o Iraque de Bush em busca de uma grande história. Lá encontra George Clooney, um ex-combatente que se intitula "Jedi" (isso mesmo, lembra de Star Wars?) e fez parte de um grupo de soldados que usavam poderes paranormais.

Ele acha a história super interessante e aqui começa o filme.

Confesso que me enchi um pouco o saco na metade e isso não melhorou até o final, assista para me contar se sou um insensível incapaz de perceber a riqueza das ironias do filme, quem sabe eu melhoro? Ah, só consegui uma cópia horrenda feita com uma câmera, até aparece um cara andando na frente da tela no meio do filme.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O arquétipo do Amor em "Cerejeiras em Flor"

Mais uma vez o cinema me emociona. Dessa vez assisti "Cerejeiras em Flor", que inclusive estava na 33ª Mostra de Cinema aqui na Motoboyópolis.

Sim, chorei sim, e daí? Não perca por esperar, você chorará também ao ver (pela enésima vez) uma inesquecível maneira de como pode ser apresentado a meros mortais como nós, o mais belo dos sentimentos: o Amor.

O filme nos mostra que por mais tarde que pareça, há tempo para mostrar a alguém o quanto o(a)a amamos.
O diretor o faz pegando carona numa linda homenagem ao Japão, com seu Monte Fuji, as cerejeiras em flor do título e a dança Butoh, que era a grande paixão da protagonista... não posso falar muito mais, já que qualquer detalhe a mais sobre a estória irá estragar a surpresa. Vá ao cinema ou pegue o filme aqui e a legenda aqui, chore, arrepie-se e seja feliz.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Avatar no IMAX

Sim, na primeira vez cometi o erro de assistir o filme em uma tela comum, qual é a pena? É a de apenas ter assistido o filme no cinema.
Na segunda vez fui no IMAX. Qual a diferença? Ver Avatar de James Cameron no IMAX em 3D é literalmente fazer parte do filme.

A sensação de estar realmente dentro de várias cenas torna a experiência Avatar, em algo único.

Sim, o filme tem vários clichês, mas como retratar o mundo do "eu gostaria que o mundo fosse assim" sem clichês? Como esperar que um pai chefe de tribo, às portas da morte faça alguma coisa muito mais inovadora de entregar seu velho arco guerreiro a sua filha para que ela continue o legado da família e da raça? Por que é clichê um grupo de pessoas se reunir para rezar para que alguém se recupere de uma doença? Por que é clichê um cara ter ciúmes da namorada quando chegar um bonitão novo no pedaço? Essas coisas não acontecem o tempo todo na vida da gente?

Afinal o que é a vida senão um grande clichê? Os pais não vão ver os filhos na apresentação da escola? As famílias não se reunem para a festa de Natal? As pessoas não se casam na igreja? Algumas pessoas não estão apenas interessadas na grana enquanto outras querem preservar a natureza?

Tudo ao nosso redor é um grande clichê, então por que criticar um filme que viaja saudavelmente por vários deles? Avatar me levou para uma viagem sublime por um mundo imaginado por alguém que criou um mundo super bacana e retratou isso com um realismo inédito.

Agora, nem pense em perder a chance de assistir o filme no IMAX, nem pense nisso.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A dura realidade alemã - A fita branca

A fita branca é de uma beleza difícil de explicar. Há uma cena onde um menino pergunta para a irmã mais velha, o significado de "morrer". O diálogo, as cores (refiro-me a luz e sombras, já que o filme é P&B), os movimentos, os silêncios, tudo me levou para um dos mais belos momentos do cinema que já vi.

Diante de filmes como esse, quase sinto dor quando alguém me reclama do fato de um filme ser filmado em preto e branco. Como reproduzir as emoções represadas das pessoas de uma aldeia alemã em 1913 em cores? Não há nada mais preciso que descrever vidas em preto e branco que suprimindo suas cores na tela do cinema.

Há grandes esperas, com momentos de silêncio onde pequenos rituais acontecem à distância, como que buscando uma privacidade até da câmera. Há violência num simples olhar, num comentário, na dor escondida e cultuada pela pressão social. Tudo maravilhosamente retratado.

Há o barão e a baronesa, o pastor, o professor (que narra o filme em off depois de velho), as crianças, a babá frustrada, os amores contidos, o desprezo pela pessoa humana, e também há um criminoso na vila, quem será? Todos parecem se sentir culpados de alguma forma.

A Fita Branca ganhou nada mais nada menos que a Palma de Ouro no Festival de Cannes, é P&B e daí?

Imperdível, e vou ser super legal com você dando o link para o filme com legendas em português já sincronizadas aqui.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cumplicidade velada em "É proibido fumar"


É muito interessante a relação entre Baby e Max, os protagonistas. Ambos adoram música, são vizinhos e iniciam um relacionamento. Ela fuma quenem chaminé é uma paciente professora de violão, com alunos desafinados, ele é hiperdescolado, toca samba em uma churrascaria, chama Baby de "cara", ambos fumam maconha juntos, mas ele pede para ela "ir fumar lá fora".

Até aí tudo normal, até o acidental assassinato provocado por Baby que foge da cena. A morta em questão é a pentelha da "Ex" de Max.

Ela mantém a situação em segredo, mas ele é suavemente extorquido pelo porteiro do prédio "seu Chico" que quer voltar pra Bahia e tem a seu favor a fita de vídeo que mostra o momento do acidente-crime. Max não conta o que houve e pede 10 mil para pagar uma "dívida de jogo".

Cada um tem um segredo, cada um quer proteger e quer proteção. Um filme muito interessante, com boas atuações. Gosto muito do Paulo Miklos que é além do fato de ser um velho componente da banda Titãs, é um ator que não sofreu influências do modelo-globo que tanto faz para afundar o cinema nacional, como por exemplo na ridícula cena das mulheres dançando.
Sim, vale a pena assistir. Nos cinemas.

Atividade Paranormal

Só caiu a ficha "O filme é bom!" quando depois de assistir, fui dormir e depois de 10 minutos tomei um susto danado com um barulhinho na janela do quarto.

Todo filme tem um objetivo, uns são feitos para trazer lágrimas, outros para lhe trazer riso, outros indignação, outros tesão e assim por diante. Atividade Paranormal, que está em cartaz nos cinemas, foi feito para te trazer medo.

Com uma produção ridiculamente mambembe, duvido que tenham gasto mais de 3 mil pra fazer o filme, ele é basicamente "a fita" das gravações que um casal que se sente molestado por algum tipo de poltergeist e resolve comprar uma câmera para registrar e tentar descobrir o que realmente se passa. As atuações são excelentes e tudo leva a crer que aquilo tudo é real, já que qualquer um poderia ter feito igual se tivesse tido a ideia.

É justamente o realismo do filme que te pega, sua proximidade com o real, afastando o expectador de efeitos especiais holywoodianos consegue fazer você acreditar, participar e se assustar com as cenas mal filmadas.

Quando terminou, pensei: "meu deus, que lixo..." logo depois entendi que o filme não é lixo não... ao contrário, é coisa finíssima. Assista e me xingue se for capaz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

This is it, Michael Jackson no IMAX


Provavelmente esse é um dos assuntos mais comentados dos últimos tempos, fico até sem jeito de contar minha experiência ontem a noite ao assistir "THIS IS IT", o filme que nos apresenta o homem Michael Jackson em sua plenitude artística.
Esse post teria uma série de "como disse fulano, como disse cicrano", afinal é impossível eu ter visto algo que só eu vi, não é mesmo? Chega a ser ridículo. Então vou contar o que eu senti.

Senti dó. Senti pena de ver que agora não mais será possível termos MJ criando, imaginando, amando, dançando e contraternizando como ele fazia antes de virar parte do elenco permanente de seu próprio Thriller.
Michael foi um grande artista, um gênio de sua música, um virtuoso de sua criação e isso é um fato inquestionável, aliás é a única coisa que realmente me interessa saber a respeito dele.

Claro, o filme foi feito por gente que amava Michael e não poderia deixar de ser uma obra onde você vê "seu lado bom", mas é difícil acreditar que possa haver algo mais que "não deva ser mostrado" no filme, a não ser aquilo que a imprensa se cansou de explorar ao longo dos anos para transformar em notícia baseado nos eventuais escorregos corriqueiros desse impressionante músico.

Confesso que me deu vontade de soltar algumas lágrimas, mas não porque o filme apela para pieguisse, ao contrário, o filme é uma obra reta, uma obra honesta que mostra uma pessoa no exercício pleno de sua profissão. Poderia mostrar a vida de um motorista de empilhadeira e a sensação seria a mesma: transparência.

A experiência de ver o filme em uma tela de oito metros de altura por 14 de comprimento é um detalhe (obrigatório) à parte, que nos coloca frente a frente a melhor (e única) maneira que nos restou de ver MJ em ação.

Vá correndo, mas antes entre no ingresso.com.br e compre seus ingressos antecipadamente escolhendo o lugar onde você vai sentar e de preferência no meio e em uma das três últimas fileiras, pois como disse o Maurício Saldanha (olha eu aqui), se você não ver na tela grande, poderá se arrepender mais tarde.

Ah, o desenho no início do post é do cartunista Wagner Muniz.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Julie e Julia, uma delícia

Ah, Joãozinho.... você não sabia que tenho assistido um montão de filmes da 33ª Mostra Internacional de Cinema que está rolando aqui na No-Smokinglândia?
A receita é usar o Google Agenda para organizar os horários dos filmes, comprar ingressos antecipadamente no ingresso.com.br e chegar no mínimo meia hora antes na fila para garantir lugares aceitáveis para ver na tela grande, maravilhas como a Meryl Streep em uma deliciosa perfomance onde ela é uma dona de casa que, sem ter muito o que fazer, decide fazer um curso de culinária que termina se transformando num livro.

A história é real, Julia Child existiu, assim como a outra protagonista Julie Powels (Amy Adams), a blogueira que decide em tempos atuais, fazer as 525 receitas do famoso livro de Julia em um ano e registrar tudo em um blog. As duas nunca se conhecem, são histórias paralelas em tempos distintos, mas há um delicioso sincronismo entre elas.

Meryl está maravilhosa como sempre, me dá até vontade de entrar para algum fã-clube dela ou então comprar o livro de receitas e fazer ao menos uma das 525 (era isso?).
Vai entrar em cartaz no circuito logo logo, não deixe de assistir mamãe!!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Onda (Die Welle)


Quando o professor Reiner invoca o 3º Reich como um exemplo para sua aula de autocracia; na verdade o exemplo fora dado por um aluno, imediatamente a classe rechaça a ideia alegando que isso são águas passadas. Uma das alunas diz que há uma "responsabilidade histórica" na Alemanha, piadas surgem e Hitler parece tão distante quanto uma viagem no tempo.

O que vem em seguida é uma incrível proposta didática. Sem prévio aviso, o professor cria uma simulação de modelo autocrático na sala de aula, elaborando junto com os alunos, uma espécie de sociedade que os próprios batizam de "Die Welle" (A Onda). Realmente, vivenciar aquilo que se quer ensinar é uma forma extremamente eficiente do ponto de vista didático. A coisa tem tudo para funcionar, o professor é o modelo ideal de ditador eufemístico, já que a classe o venera; ele usa camisetas do "The Clash", tem um estilo todo despojado, especialmente se comparado aos sizudos colegas, não há como não se "apaixonar" pelo professor Reiner, que na simulação da autocracia, agora tem de ser chamado "Herr Wender".

É assustadoramente simples como um regime autocrático, vestido com seus símbolos, gestos, site, adesivos, uniformes, padrões enfim, pode envolver uma multidão. Rapidamente a turma embarca nessa "Onda" que é vista singelamente como um agregador da comunidade. Aqueles alunos mais fragilizados pela aborrescência rapidamente se tornam fieis seguidores em especial. A escolar lista de características do regime, ditada pelos alunos no início da aula, termina invariavelmente se tornando prática comum nos dias que seguem a experiência e sem que os alunos se deem conta, passam a integrar seu dia a dia de maneira cada vez mais assustadora.

É aí que o problema começa: "A Onda" começa a tomar uma dimensão maior que o esperado e começa a ficar complicado controlar os fatos. É aqui que paro meu texto, pois você tem de ver o filme e não quero estragar a história, depois que você assistir a gente conversa sobre o final que é surpreendente. O filme é baseado em fatos reais.

Só quero completar dizendo que o filme é tão envolvente que eu tinha um compromisso que me esqueci completamente e precisei de alguns minutos após os créditos finais para voltar de verdade para a Mooca, São Paulo, SP, Brasil, 22 de outubro de 2009.

Adeus a Roberto Simon

  Cemitério Israelita do Butantã - um lindo lugar. Fui até o cemitério hoje me despedir de meu amigo Roberto Simon. Fazia um bom tempo que e...