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quinta-feira, 1 de junho de 2023

Vida de gente, vida de cão

 

Chorei hoje igual bebê,
como há muito não fazia.
Jogado no sofá,
abraçado na almofada,
abri um berreiro daqueles raros,
verdadeira agonia

Não era isso que eu queria,
preferia de outro jeito,
um jeito que tivesse jeito.
Mas como jeito não havia,
a gente logo dá um jeito,
porque não tem nada mais mal feito
que bicho em agonia.

Bicho é feito de alegria,
veio aqui pra passar bem,
E se bicho sofre, meu amigo,
arruma logo um jeito certo,
de provar para teu bicho,
que você é o cara certo
feito de amor, cuidado e respeito
que ele pode confiar
porque você é do bicho,
seu melhor amigo.

Ser humano é uma coisa doida né?
Vem pra Terra pra aprender a ser gente,
levar porrada, perder uns dentes
ralar muito e quem sabe um dia,
chegar ao fim da vida,
olhar pra trás e pensar sobre a vida,
poder falar que valeu a pena,
vida que não foi pequena,
vida que foi bem vivida.
Não foi vida vivida para o outro, 
mas, interessante e plena vida, 
dessas que dá gosto de viver
de poder dizer, essa foi minha vida,
e saber que viveu bem,
cada dia dessa vida
até o dia de morrer.


Vejo a gotinha tão branquinha
que passava pelo tubo
como bilhete só de ida
pra quem já viu de tudo.
A lágrima da doutora
atrapalha pra achar a veia,
como quem não quer fazer
o que a profissão permeia.

E dormiu um sono pesado,
e com as mãos senti seu corpo
passeei por seus densos pelos,
e vi o medo acelerar seu coração
um pouco de pavor talvez
tentando resistir
batendo pela última vez.

E falamos da vida,
das coisas boas,
dessas que fazem a gente
sentir gosto pela vida,
dessas que fazem a gente
querer se apegar mais,
ao que nos resta dessa vida.

É porque vida é sempre o que te resta,
o que ainda falta pra viver,
porque vida passada só serve pra uma coisa
te ajudar a melhor viver melhor,
essa vida por viver.

E tremeu a orelha dele um pouco,
Doutora! Ele tá vivo!
Não, meu amigo, você não tá louco,
é só uma contração, um último adeus,
pra lembrar que nessa vida de cachorro
é bom você saber,
é preciso ter um dono,
alguém que te respeite
e que cuide de você
até na hora mais difícil,
até na hora de morrer.


Hoje meu bichinho, meu cachorrão, meu lindo, meu Ozzy fechou os olhos tranquilos depois de um monte de carinho. 
O Ozzy era um pastor alemão, viveu quase 12 anos. Foi adestrado quando pequeno aprendeu a tomar conta da casa. Quase todos os dias trazia presentes que encontrava pelo jardim. Tomava conta da casa como ninguém. Minha filha Sol passou a vida com ele, deixou muita saudade.

Muito obrigado a dra Bia da Clínica Veterinária e Pet Shop Dra Bia, aqui na Vila Mascote pelo carinho e pelo profissionalismo. +55 11 94202-5804

sábado, 17 de janeiro de 2009

Faxineira procura


Morar em um apartamento deveria dar menos trabalho que morar em uma casa, afinal o espaço é menor, e há muito menos o que limpar. Tem coisas até divertidas de fazer, adoro colocar água nas plantas e não reclamo de lavar louças, especialmente com água quente e uma pia de duas cubas. Passear pelo corredor com aquela vassoura que gruda o pó é o máximo, sinto-me limpando o planeta nessa hora.
Uma coisa mais complicada é passar roupas já exige um pouco mais de atenção, é preciso método. Como sou um homi muderno digitei "como passar uma camisa" e fui parar aqui. Foi tiro e queda, a qualidade de minhas passadas aumentou muito, mas sem o rádio tocando e em dia de calor, é uma tarefa meio chata mesmo.

Bem, mas quem trabalha nesta casa? Eu também trabalho, sabia? Então contratamos uma faxineira. Mulher simpática, quem sabe um dia poderá até ser babá?
Nas primeiras vezes, deixei-a para decidir o que fazer e como fazer, mas percebi que vários detalhes estavam passando um pouco mais empoeirados... Tudo bem, sou muito chato, tenho aquela mania horrenda de passar o dedo sobre as superfícies para fazer o teste da poeira.

Como na maior parte das vezes eu nem cruzava com a faxineira, que chegava depois que eu já tinha ido embora para o trabalho, resolvi deixar uma listinha com as "instruções" para aquilo que queríamos que fosse feito. No começo foi muito bom, ela até respondia dizendo "Fiz tudo aquilo que estava na lista". Foi um alívio, com meus recadinhos eu conseguia que ela realizasse coisas como organizar panelas ou gavetas, até mesmo colocar lençóis e toalhas de acordo com "o jogo".

Mas, infelizmente as camisas saiam cruas, digo, mal-passadas. Como aquele blog lá me ajudou muito, resolvi passar para ela as instruções passo a passo... quem sabe assim as camisas não tinham a mesma melhora que o resto da casa?
Tiro no pé! A mulher ficou puta da vida e deixou uma mensagem desaforada dizendo que não era criança e que sabia muito bem o que ela tinha de fazer... de quebra levou suas coisas embora e nunca mais voltou.
Alguém conhece um curso de lidar com faxineira? Melhor: alguém tem uma faxineira pra me recomendar?

Adeus a Roberto Simon

  Cemitério Israelita do Butantã - um lindo lugar. Fui até o cemitério hoje me despedir de meu amigo Roberto Simon. Fazia um bom tempo que e...