sábado, 18 de abril de 2009

Adeus tio Tonico


Ontem partiu d'entre nós, meu tio e padrinho Antonio Paschoal Rodolpho Agatti, o tio Tonico. Homem que amava sem fronteiras, também escrevia muito. Foi uma linda cerimônia, inclusive descrita pelo Alê em seu blog.
Entre o pouco que ainda li, destaco o texto abaixo, que está em Teleolalíadas:







CANTO 3
-1-
Nando, o nome do pai. Nandinho, o filho.
(Caçula era). Sílvio irmão, irmã Rose
E extremada mãe Alice, família
Compõem por mundo invejada. Amor
Dela brotava e tão alto atingia
Que da terra céu se o via, em fulgor.
Tão grande Éden proclamo ser raríssimo
Em mundo a bélico devotíssimo.
-2-
Nandinho, lembro-te tão sorridente.
Como hoje se diz, tão de bem co´a vida.
Não me esqueças. De mim lembra-te sempre,
Oh, figura por todos nós querida.
Tão amado por todos os fregueses
Que iam vê-lo por gentil no mercadinho.
Nandinho, de teus sorrisos esqueço?
Jamais. Eis verso que, feliz, começo.
-3-
Iluminado início de tarde era.
Eu e amada Cecília vesperal,
Rotineiro, bem querido café,
Em doces colóquios, nunca esperávamos
Anjo outro àquela hora em nossa mesa.
Campainha tocou. (Doce soar!)
Cecília, ligeira, se dirigiu
À porta. Do céu mensagem sentiu.
-4-
Iluminou-se-lhe a vista. Quem seria?
Perguntei. Logo resposta chegou.
Era o anjo. À santa ceia viria.
Eu inda sentado, vi-o à frente, ao longe.
De seus olhos novos raios partiram.
Atingiram coração do..., via-me, idoso.
Pouco longe, sorriso disparou.
Se achegou. Cálido, ao tio se abraçou.
-5-
À mesa sentaram tio, tia, sobrinho.
Do céu, da terra nós tanto falamos!
Bem fundo, em mente perguntas fazia-me:
Por que tal visita temas dos santos
Me evoca? Alegres não todos, dizia-me.
Algo bom? Algo mau? Roem-me tantos...
Nandinho, vieste dos tios despedir-te?
Resposta a tive em bem curto porvir...
-6-
Dos tios voa o anjo em férreo transporte.
À casa da noiva se dirigia.
Tarde com noiva, em ceia farta com sogros,
Comes e bebes à solta se uniriam.
Feliz para família foi encontro.
Repouso sogro recomendaria.
Mas céus outro destino decidiram.
Nandinho, em carro, p´ra sua morada
Voltou, despedindo de namorada.
-7-
Em noturna via sono domina
E férreo carro da via o derrota.
Embate ante duro verde culmina.
Sirenes se anunciam e socorros.
Dormes, oh anjo, pós choque fulmíneo.
Certo co´s caros pais, irmãos, tios sonhas.
Em nosso coração sempre estarás.
De amor tua de nós despedida é arras.
-8-
Grã dor, maior ainda, foi anúncio
A queridos pais que, inda em noite plena,
Dormem vigilantes sempre em prenúncios
Enquanto os caros filhos não chegam.
Campainha tocou. Pais de decúbito
Alçou. Céus, que co´o ausente ocorrera?
De trânsito policiais eram
Que, polidos, dura nova expuseram.
-9-
Ao hospital, se dirigiram os pais,
Controlados, arrasados, embora.
O anjo o viram dormindo, sem ais.
De vítreo transparente não fora.
Noite, manhã, dia, ´inda outros passais
Pais não os retiram do eterno olhar.
Em su´s almas pais ´te hoje vigiam-te.
Mas do vítreo abrigo vida fugiu...
-10-
Funéreo funeral se desenrola.
Mãe Alice se a prepara p´ro transe
Que incrivelmente brutal se antoja.
Ante caixão inda aberto vem mãe.
Querido anjo, não o crê, vê-o morto.
Intenso grito (Nandinho!...) se faz.
Mais alto e dolorido nunca ouvi
Grito de mãe a dor tanto exprimir.
-11-
Nando, Alice ainda hoje admiro
Coragem tanta por anos mostrada.
Teu anjo de lá constante os miram.
Pergunta, no entanto, em da vida estrada
Sempre a vejo. Não sai de mira minha:
É da vida o sentido ser frustrada?
Deixemos, porém, da vida a questão.
Deixemos razão com seu sim e não.
-12-
Tentemos em último canto abrir
Via nova para ausente sentido.
Não falar, mas trabalho definir,
Tal será tarefa não fementida.
A ela se ajunte leitor curtido
Em questões mentais, e das aquilinas.
Vamos, bem corajosos, pés no chão
Idéias discutir p´ra mundo irmão.

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