sábado, 24 de dezembro de 2022

Meu primeiro cadáver

Foi num feriado que viajei com meus avós para passar uns dias na casa da praia. O final de semana prolongado terminou gerando muito trânsito para descer até a Praia Grande pela via Anchieta ou pela Estrada Velha de Santos que ainda era aberta. Meu avô, com seu espírito aventureiro, resolveu fazer um "atalho" e desviar por Miracatu e Peruíbe... São cerca de 200 quilômetros a mais segundo o Google Maps, mas meu avô Chico, aquele senhor de pele escura, descendente dos mouros que ocuparam Portugal por quase 800 anos e de sua épica teimosia, achou que aquilo valia a pena. 

Saímos de São Paulo e fizemos o percurso até Miracatu pela “rodovia da morte”, a Régis Bittencourt. Na época, era pista simples e mão dupla, onde acidentes graves eram rotina.

Entramos então na rodovia Casemiro Teixeira, que liga Miracatu e Peruíbe, e seguimos pela pequena serra, percorrendo em velocidade baixa as sucessivas curvas mal projetadas.

Os pneus do Fusca vermelho emitiam pequenos guinchos a cada nova curva e eu balançava de um lado para outro no banco de trás, ora me apoiando num muro de travesseiros, ora na lateral áspera do fuscão. 

Foi quando meu avô reduziu a velocidade por conta de uma enorme fila de carros. O trânsito se arrastava e, entre protestos, algum tempo depois, descobrimos o motivo.

Numa daquelas curvas, um acidente espetacular se tornara a notícia da viagem. Outro Fusca, cujo motorista provavelmente não conseguiu fazer a curva, invadiu a contramão e colidiu de frente com um caminhão amarelo. A batida foi tão violenta que tirou a vida de todos no carro.

Passamos devagar, observando o caos à beira da estrada, e meu avô Chico parou no acostamento alguns metros adiante. Parar para olhar o acidente é prática comum — talvez pelo desejo mórbido de acumular assunto para a próxima conversa, ou pelo simples alívio de saber que não foi com a gente.

Meu avô saiu do carro. Eu me ajoelhei no banco traseiro, observando ele se afastar em direção ao aglomerado de policiais, destroços e fumaça. Curioso que era o velho Chico, logo estava inclinado sobre o carro fumegante, bisbilhotando em busca de “pistas”.

Um minuto depois, vejo meu avô retornar. Ele tamborilou o vidro traseiro do Fusca para chamar minha atenção. Encaixou a cara redonda na janela e disse: 

— Vem cá, Sivuquinha, o vovô vai te mostrar uma coisa.

Em obediência à autoridade do avô, saí do carro. Minha avó saiu primeiro para levantar o encosto do banco e eu saltei para a aspereza do asfalto. Curioso, segui meu avô até o local do acidente. 

Havia fumaça subindo da frente de um dos carros. As pessoas e os policiais se aglomeravam ao redor da cena, enquanto o teto amassado do Fusca azul calcinha me chamava a atenção. Era como se o teto estivesse tentando saltar por cima do restante do carro, fugindo do próprio desastre.

Aproximei-me um pouco mais e os detalhes daquela cena inesquecível começaram a se materializar diante dos meus olhos. Havia incontáveis cacos de vidro espalhados pelo chão, a lataria deformada e enrugada como papel amassado, uma das rodas torcida violentamente para a direita, lembrando um braço quebrado, dobrado para um lado impossível. No asfalto, repousavam um quepe azul, como os dos carteiros, e o pé solitário de um tamanco de madeira, desses que estavam na moda naquela época, em plenos anos 70. Estranhamente, não havia ninguém por perto. Imaginei que alguma senhora, vítima da tragédia, havia sido levada às pressas para o hospital na ambulância dos vigilantes rodoviários.

Foi então, no calor da tarde, que meus olhos de menino enxergaram, entre a lataria retorcida, algo que parecia um homem dormindo. Mas aquilo não era sono.

Lá estava meu primeiro cadáver de verdade. 

O motorista, provavelmente. Oculto atrás da porta semiaberta, um senhor de poucos cabelos brancos, bigodes enrolados cobrindo o lábio superior e parte da boca, escancarada num enorme susto. Os olhos arregalados, parados, miravam o horizonte por cima do meu ombro. Um olhar triste, suplicante. Sentado ao volante, o peito esmagado pelo volante, respingado de sangue. O braço esquerdo caía inerte, vestido com blusa cinza de lã fina. As pernas, encolhidas, desapareciam sob o painel.

Fiquei ali quase paralizado, Observava a cena como se o tempo tivesse começado a andar mais lentamente, como se não houvesse mais ninguém em volta e todos os ruídos da tarde tivessem momentaneamente cessado. Por um instante, senti o mormaço dos raios do sol esquentar meu braço, até que de repente, algo pareceu se mexer.

Os olhos do morto se fecharam numa piscada repentina e, num segundo, abriram-se de novo, assustados. Voltaram-se diretamente para o meu rosto. A boca se fechou por um instante.

— O que você está olhando, moleque? Nunca viu não?

Aterrorizado, recuei um passo no cascalho da calçada. Um arrepio percorreu minha espinha. Mas o fascínio de ouvir aquela voz me atraiu de volta.

— Eu nunca tinha visto um homem morto antes...

— Estou morto, mas não sou atração de circo, vá arrumar alguma coisa para fazer que eu estou é bem ocupado aqui, moleque. Como você se chama?

— S... Silvio...

— Então Silvio, tá vendo onde eu fui me meter? Olha só a confusão que isso tudo deu, veja se você se liga, viu? Não vai fazer uma barbaridade dessas quando aprender a dirigir, olha como eu fiquei.

— Mas o caminhão...

— O caminhão, o caminhão... Ele não teve culpa, moleque! Eu estava correndo muito e o Fusca não faz curva, eu passei reto, não deu nem tempo.

— Não teve como desviar?

— Quando eu vi já era...

— Não tem mais jeito?

— E mesmo que tivesse? Minha mulher morreu. Nem viu nada, tava dormindo. Agora tá em algum lugar no céu, ou sei lá onde, tentando entender como foi parar lá. Levaram ela no rabecão. Culpa minha.

— Mas você está aqui falando comigo...

— Isso não me serve de nada. Daqui a pouco me levam também. Necrotério. Vou estragar a vida da minha família toda. Vai ser choradeira. Minha mulher era avó, igual tua avó. Nossos netos vão chorar. Meus filhos, meus amigos do futebol de botão. Vai ser uma bosta.

— Nossa, que ruim isso...

— É horrível e não tem mais volta. A gente não dura pra sempre, né? Tem gente que acha que sim, que é indestrutível, o mais esperto do mundo… Engano puro. Um segundo a mais de erro… tá fodido. Então, se liga, Silvio. Te chamam de Sivuca, né?

— É sim...

— Então, Sivuquinha, não faz uma cagada dessas, hein? Aprende a dirigir direito. Presta atenção nas curvas. E quando inventarem um telefone que dá pra levar no bolso, não fica teclando enquanto dirige. Vai prometer isso, moleque?

— Tá bom...

— Tá bom o que? Vai fazer o que eu disse? Presta atenção e me responde, moleque!!

— Eu vou prestar atenção... eu... eu prometo prestar atenção!

Nesse instante, uma mão tocou meu ombro. Soltei um grito. Era meu avô, ofuscado pelo brilho do sol, me puxando de volta para o carro.

— Vamo Sivuquinha, vamos que tua avó tá esperando.

Hesitei, mas fui. Antes de entrar no carro, virei o corpo e olhei uma última vez para o homem morto. Lá estava ele, imóvel, perdido no horizonte. Talvez, só talvez, com um olhar um pouco menos desesperado. Um pouco menos triste. Como quem, pela primeira vez na vida… fez algo de útil.

Esse texto é um fragmento adaptado para a primeira pessoa, de meu novo livro "Dois carecas, um bebê", que quem sabe um dia, estará a venda.

Silvio Ambrosini


sexta-feira, 29 de abril de 2022

O homem invisível


O homem invisível troca a fralda do filho. Imóvel na cama, ele apenas observa. Com seus olhos tão vivos, corre por tudo ao redor, parece que tenta buscar vida em todas as outras partes do seu corpo. Este par de olhos em busca de vida, se esforça para concentrar toda vida que lhes é possível, toda vida que lhes é devida. 

E o filho observa. Sente, pensa, opina, envia suas mensagens. Claro, a tecnologia ajuda, mas o homem invisível aprendeu a observar com uma atenção especial, onde é capaz de sentir, ouvir, receber suas mensagens. 

E lá vem a mãe correndo, Ela abraça, mima, protege, alimenta, escuta e fala, descreve tudo ao redor para que seu filho escute suas palavras dando nome a todas as coisas, dando contorno ao seu pequeno mundo. O filho  responde o sorriso com seu olhos cheios de vida. Vida que esbanja e a mãe sabe disso, porque a mãe sente, a mãe ouve, a mãe ama.

Mas o filho está preocupado, tem medo de ficar sem respirar, então ele pisca o olho e o homem invisível verifica a saturação. Está baixa, então olha para o filho e seus olhos se encontram. De um jeito que não entendi ainda, através do olhar ele entende que o filho tem dificuldade para respirar. E o homem invisível faz o procedimento. Limpa a traqueia, aspira, aspira e aspira. E então os olhos do filho se encontram com seus olhos e no seu costumeiro jeito de olhar, ele diz que já se sente melhor. A tecnologia ajuda, o oxímetro confirma e o homem invisível relaxa um pouco e a mãe descansa os ombros e o filho olha para ambos sorri com os olhos.

Sabe? O filho tem medo, mas não de monstros, não dos lobisomens que uivam no quintal, nem da mula sem cabeça que corre entre as plantas do jardim e nem do monstro que mora embaixo da cama. O medo que o filho sente é de ficar sozinho, de não ter mais olhos para olhar, olhares para trocar, pele para sentir. 

Em seus sonhos, flutua sobre a cama, levanta voo e sai pela janela, flutuando sozinho pelas ruas do bairro. Penetra na escuridão do bosque da praça e escuta o uivo do lobisomem. Finge que tem o medo que ele não tem. Olha para os braços e vê os pelos eriçados, mas não é medo do lobisomem. Sente um arrepio na espinha que pouco sente, e lá está a mula sem cabeça com suas labaredas e seu grito de relincho e ele finge que tem medo também, mas não é medo da mula que ele tem. E continua sua jornada entre árvores até que sai pela rua sem medo. Ele sabe voar e sente o vento no rosto, e vai subindo pelo céu vendo sua casa lá embaixo e quando chega perto das nuvens, sente um tipo de pequena solidão. Mas mesmo assim fica feliz porque pode escolher para onde vai, escolher seu caminho, pode flutuar como quer e voar por onde quiser. Então ele sai do bosque, volta para o bairro e  lá está sua casa no fim da rua. Entra pela janela do quarto e vê os lençóis e os aparelhos com suas luzes  piscando e seus foles ocupados em inflar e desinflar. E os fios ligados e a cama tranquila e acolhedora, nem liga para o monstro que mora debaixo dela. Ele finge que tem medo porque criança sempre tem medo de monstro. Mas não é do monstro o medo que ele tem. É medo de ficar sozinho e parar de respirar e não ter ninguém para ajudar.


Então, a mãe acorda assustada. Escutou um som. Foi a janela que se fechou? O alarme disparou? Os aparelhos biparam? Foi o filho que se engasgou? Preocupada, a mãe sai da cama, e corre até o quarto do filho em busca daquele olhar. Encontra aqueles olhos que lhe dizem para se tranquilizar. Foi só um passeio, mãe... eu saí pela janela pra voar um pouco, para sentir o vento no rosto e subir até as nuvens, estava tentando sentir só um pouco uma  tal pequena solidão, mas não precisa se preocupar. E a mãe solta uma lágrima, é só uma, filho. Eu preciso deixar escapar. 
Mãe é assim, mãe pode chorar, mãe pode até quebrar, mãe precisa deixar escapar. Então o homem invisível, com o lado da mão, alcança a bochecha molhada e as seca. E a mãe fecha os olhos e mergulha no abraço do homem invisível. 
E o homem invisível também quer chorar, mas homem é assim, não pode chorar, não pode reclamar, não pode, não pode, não pode.   

E o homem invisível volta a contar histórias, a conferir os aparelhos e levanta os olhos para encontrar naquele olhar do filho, toda a vida que esse pedaço de vida tenta sempre encontrar. E naqueles olhos tão cheios de vida, onde vê o esforço para olhar, encontra a força para contar histórias sem parar. E o filho também tem histórias para contar, quer contar o sonho da noite passada, quando flutuou na floresta e escutou o uivo do lobisomem e viu as labaredas da mula sem cabeça com seu grito horroroso, mas nada disso deu medo. E quando voltou para casa e sabia que debaixo da cama, o mostro de debaixo da cama se escondia, mas ele também não tinha medo. Só de uma coisa ele tinha medo, era de parar de respirar.


Era domingo, final do dia, o homem invisível se sentou olhando o horizonte enquanto o sol mergulhava entre os prédios. Sentiu vontade de chorar, mas lembrou que não podia,  pensou nos vários anos que haviam passado enquanto aqueles olhos furtavam seu olhar e tentou se lembrar de outros tempos, tempos em que podia chorar.

Lembrou de sua avó que o levava visitar as crianças e as velhinhas da casa de auxílio. Muitas nem conseguiam andar, ficavam deitadas sem conseguir se levantar. Havia um menino que não tinha ambos os braços, mas tinha pernas fortes, boas de correr. E o homem invisível que mesmo tão novinho, conseguia perceber que dentro do olhar do menino sem braços, não havia medo de monstros, não havia medo naquele olhar. E ele brincava com o menino, corriam pelo pátio, e ele que era o homem invisível, tinha medo de que o menino caísse. Se ele cair, como vai se apoiar? Então ele tentava correr mais devagar, mas o menino não ligava, corria o mais rápido que podia até cansar e o homem invisível corria desajeitado atrás dele e quando finalmente parava, ele finalmente podia encontrar um pouco daquele olhar.

A avó chamava o homem invisível para ajudar com as pessoas que andavam em suas cadeiras de rodas e ele, que tão pequeno, mais atrapalhava do que ajudava, não se cansava de empurrar. Junto com sua avó, o homem invisível levava aquelas velhinhas ladeira acima para passear. Quando terminava o passeio, era preciso descer a ladeira, e o homem invisível tinha medo de que a avó não conseguisse segurar e corria ajudar. E o homem invisível espalhava seu olhar e via a beleza em tudo ao seu redor, nas formas, nas cores e desenhos da igreja, nos movimentos das pessoas, mas principalmente naquilo que elas tinham de mais precioso, a profundidade de seu olhar.

O homem invisível viveu suas aventuras, suas decisões, escolhas, erros e acertos, idas e vindas. Sentiu o vento bater em seu rosto e um dia, perto das nuvens, sentiu uma pequena solidão, mas ficou feliz em poder escolher para onde ir. 

Um dia o homem invisível encontro outro par de olhos. Trocaram olhares e sentiram que podiam continuar assim. Se olharam, foram morar juntos e se amaram. Então veio o filho e eles também o abraçaram e o amaram. E então num dia de manhã, era bem cedo, perceberam que naquele olhar não havia medo de monstro, de lobisomem, de mula sem cabeça. Só o medo de não ter ninguém para amar.  

E abraçaram aquele filho e em seus olhos se perderam em seu olhar, porque viam dentro daquele olhar  que ele era o lugar onde existia a mais essencial das coisas: o saber amar.


terça-feira, 29 de março de 2022

A panela de ovos



Lá vem ela descendo a avenida, toda de branco, com seu avental esvoaçando na brisa da manhã. E por trás das duras lentes, aqueles olhos que tudo veem e experimentam o mundo que pulsa sem parar ao seu redor. Ela vê as pessoas que caminham rápido, as que se detém nas vitrines, as que mergulham no celular, as que procuram pássaros pelos fios dos postes, as que olham fixo para a frente, as que olham sempre ao seu redor, as que olham e também as que querem ser olhadas. Seus sapatos ecoam tons nas pedras das calçadas e o ar que se move e os cheiros que desfilam café, frituras, incógnitos perfumes, flagrantes suores, acres e doces, os que chamam e os que repelem. E mete a mão no bolso do jaleco e lhe saem os dedos brancos de giz, o mesmo giz de professora no mesmo branco de giz que ficou nas letras da última tarefa de português. E seus alunos cuidadosos a copiaram e seus cadernos foram para as suas bolsas e em seus finais de semana produziram mais uma composição para na segunda feira, entregar a folha nas mãos da professora. Ela que, com seu saber ensina, com seu amor contagia, com sua disposição inspira seres orgulhosos a conquistarem seus lugares, dedicarem-se a aprender o alfabeto, gente simples, moradores de rua, pessoas a quem lhes foi negado a aprender da sua própria língua. Poder entregar aquilo que a vida lhe ensinou para aquelas pessoas parece completar todas as lacunas de seu dia.


E então vem o ponto de ônibus e a banca de jornal e as pessoas que desviam e as que não desviam também, aquelas que vão, aquelas que vêm. E na porta da loja popular, um homem alcança seu olhar. Nas cores desbotadas de suas roupas, nas sandálias de dedo, em seu mover cauteloso, em sua mão, um punhado de moedas de diferentes cores e tamanhos. Dona me ajuda por favor, a completar o que me falta para que eu possa comprar aquela panela. E aponta com o dedo da outra mão enquanto traz para o peito a mão das moedas, fechada em punho protegendo o que é seu. Não falta muito, se eu conseguir, até o final do dia vou poder fritar uns ovos nela. E do outro lado do vidro, a pequena panela com a etiqueta pendurada dizia dezessete reais, a panela da loja popular. E ela não pensou muito e entrou e comprou a pequena panela e a entregou na mão do homem, e ele sem acreditar questionou, mas dona, essa panela é para mim? E ela disse que sim, e que usasse as moedas para comprar os ovos, e ele então agradeceu e tremia a voz, e disse que fazia tempo que ele não via o Papai Noel... e ela brincou, Mamãe Noel, talvez... E ele brincou com as moças do caixa, que pouco lhe deram atenção, mas mesmo assim ele disse: Nessa panela, vou fritar meus ovos e vou fritar minha pele de frango, vocês já provaram que delícia que é a pele de frango com ovos? E a alegria do homem era flagrante e mesmo sem enxergar muito bem, pelo pouco que as lentes de seus óculos lhe permitiam ver, ela sentiu, mais que viu, a alegria do homem que se materializara e então o tempo andou mais devagar por um instante e o ponteiro do relógio tentou não avançar para os próximos segundos.


E ela então ela voltou para a rua e enquanto seu avental voltava a voar na brisa da manhã e as pessoas voltavam a caminhar e a brisa também voltava a soprar seu rosto, ela se lembrou de como se sentia completa em poder fazer algo por alguém, se lembrou de como era fácil encontrar felicidade assim, tão de repente. Ela que poderia ficar feliz com novos azulejos para a cozinha ou o piso do apartamento ou com qualquer coisa que ganhasse de alguém. Mas a felicidade estava lá, não no que ela recebia, mas no que ela era capaz de entregar.



Este texto foi baseado em uma história contada por Marluci Fialho.


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Adeus a Roberto Simon

  Cemitério Israelita do Butantã - um lindo lugar. Fui até o cemitério hoje me despedir de meu amigo Roberto Simon. Fazia um bom tempo que e...